A combinação de taxa básica de juros na mínima histórica, crescimento do empréstimo consignado e um ambiente de menos incertezas sobre a economia levou o prazo médio do crédito concedido a consumidores no Brasil a crescer para quase cinco anos (57 meses) no fim do ano passado.

Esse é o maior patamar desde março de 2011, ano de início da série histórica do Banco Central consultada pelo 6 Minutos, que leva em conta apenas novos empréstimos e não inclui financiamentos imobiliários com recursos do FGTS (que possuem prazos muitos mais extensos).

Tradicionalmente, em épocas de maior estabilidade econômica e juros menores, os bancos tendem a reduzir taxas e alongar prazos, já que aumenta a confiança na capacidade de pagamento dos clientes.

Como está o prazo em relação a dezembro de 2018? E na comparação com quatro anos atrás? Os consumidores passaram a ter, no mês passado, três meses a mais para pagar seus financiamentos na comparação com dezembro de 2018 (na época, a média era de 54 meses).

Em relação a dezembro de 2015, essa conta sobe para quase 7 meses a mais (os consumidores dispunham de 50 meses para pagar seus financiamentos).

“Há três, quatro anos, o país estava em recessão. Normalmente, em épocas de crise muito forte, o crédito desaparece, encolhe em volume e também em prazo. São períodos de elevado risco, em que as pessoas começam a ficar sem emprego”, explica Luiz Rabi, economista da Serasa.

O que explica esse aumento do prazo médio no ano passado? São três as razões principais. Em primeiro lugar,  o futuro da economia brasileira está mais previsível, principalmente por causa da aprovação da reforma da Previdência no final de 2019, que terá impacto importante sobre as finanças do governo.

“O principal fator de incerteza era a sustentabilidade da dívida fiscal, que foi quase totalmente resolvida com a reforma da Previdência”, observa Rabi. “Isso foi um fator impactante do ponto de vista de melhora da perspectiva de médio e longo prazo da economia.”

Além disso, a taxa básica de juros, a Selic, continuou a cair no ano passado, passando de 6,5% até alcançar os atuais 4,5% ao ano. Ou seja, os custos dos bancos estão menores, o que estimula a retomada dos financiamentos.

O terceiro ponto é a forte expansão do crédito consignado, que tem prazos mais longos para pagamento. A própria crise vivida pela economia nos últimos anos levou as pessoas, em especial aposentados, a buscarem esse tipo de empréstimo, que oferece taxas mais baixas.

Quais as modalidades de crédito que mais contribuíram para esse aumento da duração dos parcelamentos? Como já mencionamos, a mais importante delas é o crédito consignado em folha de pagamento, pois as parcelas são descontadas diretamente da renda do consumidor, antes mesmo de este ter acesso ao valor.

Como essa é uma boa garantia para os bancos, as taxas são menores, e os prazos oferecidos, mais longos. Todas as três subcategorias de consignado (servidores públicos, trabalhadores do setor privado e aposentados) tiveram alta no número de meses de parcelamento no último ano.

Os servidores, por exemplo, que respondem por 57% do consignado, passaram de uma média de 83 meses para 88. Ou seja, eles passaram a dispor de mais de 7 anos para o pagamento da dívida.

Outras modalidades também cresceram: o prazo para parcelamento de veículos subiu para 44,9 meses no fim do ano passado (era de 43 meses em 2018) e o de aquisição de outros bens (principalmente eletrodomésticos e eletroeletrônicos) aumentou para 19,5 meses (era de 16,4 há um ano).

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