A procura por segurança em um momento de elevada incerteza por causa do coronavírus fez com que, entre meados de março e ontem, dia 13, o estoque de CDBs (Certificado de Depósito Bancário) aumentasse R$ 356,1 bilhões, um crescimento impressionante de 35,7% em apenas quatro meses.

Atualmente, há R$ 1,3 trilhão desses títulos no mercado, segundo dados da B3.

O CDB é uma aplicação que funciona como um empréstimo do investidor para instituições financeiras, que o remunera com juros.

O que explica esse crescimento tão forte dos CDBs? Bernardo Pascowitch, fundador do portal de busca de produtos financeiros Yubb, lembra que durante a pandemia foram observados dois comportamentos distintos por parte dos investidores.

“De um lado, houve investidores aproveitando o momento de grande desvalorização para aprovar alguns descontos nos preços de alguns ativos”, observa. “Abriu-se espaço para compra de ações por valores muito mais baixos, e um grupo mais agressivo, mais experiente tomou esse caminho”.

Mas a linha majoritária, por assim dizer, optou pelo caminho da segurança representada por aplicações mais conservadoras, como é o caso do CDB.

“São pessoas que ficaram muito preocupadas com esse momento que estamos vivendo e cujas preocupações remetem não só à queda de ativos, de bolsa, mas também a medo de perder o emprego, de reduzir sua renda”, aponta Pascowitch. “Isso fez com que houvesse uma certa volta, um retorno a investimentos mais seguros, mais previsíveis”.

Na avaliação dele, esse é um movimento que tende a ser temporário, reduzindo de intensidade assim que os impactos da pandemia sobre a economia diminuírem.

“Com a normalização do nível de risco, acreditamos que vai haver um retorno a um cenário de diversificação maior de investimentos. Isso já tem acontecido: vimos a Bolsa bater os 100 mil pontos na semana passada”, lembra.

Essa é a tendência até porque o retorno dos CDBs, que é atrelado à taxa básica de juros, está bastante baixo atualmente, já que a Selic está na sua mínima histórica, de 2,25% ao ano. Quando se desconta o efeito da inflação, o retorno de um título que paga 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, que acompanha a Selic), por exemplo, é negativo.

Como escolher o melhor CDB? Em primeiro lugar, é importante saber que a rentabilidade de um CDB varia bastante dependendo do tamanho do banco que o emite.

Os grandes bancos, considerados mais sólidos, costumam pagar menos aos tomadores, enquanto os bancos de menor porte pagam mais para atrair investidores.

Não é mais arriscado comprar um CDB de banco pequeno ou médio? Sim, é mais arriscado, e por isso mesmo os bancos de menor porte remuneram melhor o investidor.

Ao mesmo tempo, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) garante investimentos em até R$ 250 mil em depósitos ou créditos do investidor. Em geral, o pagamento é feito após entre 30 e 45 dias em caso de falência, intervenção ou liquidação.

Uma boa forma de saber se o banco é sólido é ver o seu índice de Basileia, que é o indicador que mede a solvência de determinada instituição financeira e que é informado por portais de comparação como o Yubb.

Quanto maior esse percentual, mais sólido é o banco. No Brasil, esse índice deve ser de no mínimo 11,5%, para os grandes bancos, e de 10,5%, para os bancos pequenos e médios.

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