Você sabia que, da mesma forma que barganha com outras operadoras um preço menor para seu pacote de internet e TV a cabo, pode negociar as condições de seu financiamento imobiliário, e com isso, garantir uma redução na parcela de mais de R$ 1.500, dependendo do caso?

O nome dessa ferramenta, disponível desde 2013, é portabilidade de financiamento imobiliário,  alternativa que se torna bastante atrativa agora, em meio a uma onda de reduções de taxas de crédito habitacional.

Hoje a Caixa, que responde por 70% do financiamento imobiliário do mercado, anunciou a redução da sua taxa mínima de 8,5% para 7,5% ao ano mais TR (Taxa Referencial, hoje zerada). No final do mês passado, dois dos maiores bancos do país, Bradesco e Itaú, também reduziram suas taxas mínimas de 8,10% para 7,30% e de 8,30% para 7,45%, respectivamente.

O quanto trocar de banco pode me garantir uma taxa mais baixa de financiamento imobiliário? Dependendo de quando você contratou seu financiamento imobiliário, a diferença pode ser significativa.

Em março de 2016, por exemplo, a taxa média estava em 10,77% ao ano. No caso de um financiamento imobiliário de R$ 500 mil, em 360 meses, a parcela atual estaria em R$ 5.335,45.

Se esse consumidor fizesse a portabilidade para uma taxa de 7,3%, que é a menor encontrada hoje no mercado, economizaria R$ 1.698,94 por mês, segundo cálculo da consultoria Melhortaxa, que lançou um simulador para o consumidor avaliar se vale ou não a pena fazer a portabilidade: https://www.melhortaxa.com.br/simuladores#

Quando o financiamento chegasse ao final, a economia total seria de R$ 196,7 mil.

“O aumento do fluxo da portabilidade é significativo, as pessoas estão descobrindo que existe esse instrumento. Houve uma grande busca recente, até para entender o mecanismo. Estamos recebendo quase mil pedidos por mês de portabilidade”, afirma Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa.

A portabilidade sempre vale a pena? Não. Além da taxa de juros, há outras despesas que acabam incidindo sobre o valor que você paga todos os meses, como o custo da conta bancária que você terá que abrir e os seguros obrigatórios a serem pagos, por morte e invalidez permanente, que são incluídos no financiamento imobiliário.

A dica é: peça ao banco atual e para aquele para o qual você avalia migrar o crédito o valor do CET (Custo Efetivo Total) das operações. As instituições financeiras são obrigadas a te fornecer esse valor por uma resolução do Banco Central.

“A grande sacada dos bancos é fazer um jogo de R$ 1,99, que nos parece muito mais barato do que R$ 2. Mas tem uma série de pontos que são deixados de lado pelas pessoas: mudar o imóvel do nome do banco original para o outro banco, a vistoria do imóvel, a obrigatoriedade de contratação de alguns seguros”, alerta Daniel Carrasqueira de Moraes, professor de finanças do Ibmec-SP.

O que mais devo ter em mente na hora de pesquisar a portabilidade? Saiba que o simples ato de migrar o financiamento pode custar entre R$ 3 mil e R$ 4 mil: entre as despesas envolvidas, estão custos de cartório (para mudar o imóvel do nome de um banco par ao outro) e a avaliação do valor da propriedade por um perito.

Neste último caso, a tendência é que essa despesa se torne cada vez menos frequente, já que o BC autorizou, no final do mês passado, que essa vistoria seja realizada através de modelos estatísticos.

As taxas mínimas anunciadas pelos bancos estão acessíveis a todos? Não. Essas taxas são reservadas para quem está disposto a assumir um relacionamento com o banco, como migração de conta salário, abertura de conta corrente e uso do cartão de crédito do banco, entre outros. De qualquer forma, quando reduzem as taxas mínimas, os bancos também cortam as chamadas “taxas de balcão”, que são os juros para aqueles que não se tornarão clientes do banco.

Qual é o passo a passo para pedir a portabilidade? O cliente deve pedir ao banco um extrato do saldo devedor do seu financiamento, prestações e também do custo efetivo total do financiamento. Depois, deve procurar outras instituições financeiras em busca de uma oferta melhor.

“Depois da aprovação do crédito, as instituições pedem o saldo devedor para o outro banco, que tem até 10 dias para passar essa informação. Em geral, usam o prazo todo, pois é a oportunidade que tem de reter o cliente”, afirma Daniele Akamine, do Akamines Financiamento Imobiliário.

Todos os bancos fazem a portabilidade? Não. O Itaú está em fase de testes da portabilidade, e não aceita ainda a transferência de crédito imobiliário de outras instituições.

 

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).