A combinação de taxas de juros baixas e do isolamento social por causa do coronavírus levaram a uma verdadeira explosão da portabilidade do crédito imobiliário em 2020.

Dados do Banco Central levantados pelo 6 Minutos mostram que entre janeiro e maio deste ano foram feitos 16,7 mil pedidos de transferência de financiamento de imóveis de um banco para outro, um crescimento impressionante de 470% na comparação com mesmo período de 2019.

O total de crédito para imóveis que mudou de mãos no Brasil atingiu R$ 1,9 bilhão apenas no acumulado do ano até maio, uma alta de 491% em relação ao mesmo período do ano passado.

Levantamento feito pelo Banco Central já havia mostrado um forte crescimento dessas operações em 2019, mas o fato é que o movimento ganhou ainda mais tração neste ano.

“As pessoas físicas sempre viveram em um mundo de taxa de juros de dois dígitos. Antes, o custo de oportunidade era um, agora é outro. Guardar dinheiro não rende mais, portanto, comprar uma casa própria e sair do aluguel faz muito mais sentido”, explica Rafael Sasso, da consultoria Melhortaxa.

Além da queda nos juros, a quarentena em si também tem um papel importante nesse movimento: passando mais tempo em casa, as pessoas começaram a ter necessidade de imóveis maiores.

“O isolamento social fez com que as pessoas tivessem mais tempo de buscar um imóvel para morar. Essa é a maior transação da vida do brasileiro, que em média compra menos de dois imóveis ao longo da vida”, aponta Sasso.

Qual o caminho para pedir a portabilidade? O cliente deve pedir ao banco um extrato do saldo devedor do seu financiamento, prestações e também do custo efetivo total do financiamento. Depois, deve procurar outras instituições financeiras em busca de uma oferta melhor.

Depois da aprovação do crédito, as instituições pedem o saldo devedor para o outro banco, que tem até 10 dias para passar essa informação.

A portabilidade sempre vale a pena? Não. Além da taxa de juros, há outras despesas que acabam incidindo sobre o valor que você paga todos os meses, como a tarifa da conta bancária que você terá que abrir e os seguros obrigatórios a serem pagos, por morte e invalidez permanente, que são incluídos no financiamento imobiliário.

A dica é: peça ao banco atual e para aquele para o qual você avalia migrar o crédito o valor do CET (Custo Efetivo Total) das operações. As instituições financeiras são obrigadas a fornecer esse valor.

O que mais devo ter em mente na hora de pesquisar a portabilidade? É importante saber que há custos nessa migração: o simples ato de migrar o financiamento pode custar entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. É que entre as despesas envolvidas estão custos de cartório (para mudar o imóvel do nome de um banco par ao outro) e a avaliação do valor da propriedade por um perito.

Neste último caso, a tendência é que essa despesa se torne cada vez menos frequente, já que o BC autorizou, no final de 2019, que essa vistoria seja realizada através de modelos estatísticos.

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