Por que a poupança ainda é o principal destino das economias dos brasileiros? Com certeza não é por causa do seu resultado financeiro – como rende 70% da taxa Selic, seu retorno está em cerca de 1,9% ao ano pelas regras atuais.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) mostram que a poupança representa 42% de todas as aplicações dos brasileiros, a maior fatia entre os produtos do varejo.

Entre os motivos alegados por quem deixa seu dinheiro na poupança, segundo a 3ª edição do Raio X do Investidor da Anbima, estão: segurança (46%), retorno (24%) e liquidez (23%).

A importância se dá à segurança pode estar atrelada à memória que o brasileiro tem do confisco do saldo das contas correntes e cadernetas de poupança, promovido em março de 1990 pela equipe econômica do governo Fernando Collor.

Apesar do confisco, a poupança ainda é considerada como um bom investimento por 33% dos brasileiros, segundo pesquisa feita pelo Datafolha para o C6 Bank, em setembro.

Para Myrian Lund, professora de finanças da FGV (Fundação Getúlio Vargas), os clientes da poupança valorizam a sensação de que o dinheiro não será perdido.

“A poupança atrai pessoas que querem liquidez diária, aqueles que não entendem de finanças, e os que preferem operações simplificadas”, avalia.

Uma fortuna

Segundo relatório do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), mais de 22 mil contas poupança receberam quantias superiores a R$ 1 milhão, em fevereiro. Depósitos maiores que R$ 10 milhões somaram 338 operações em todo o mês. Ou seja, a poupança não recebe apenas pequenas quantias.

Ou seja, a poupança não recebe apenas pequenas quantias. Mas e a preocupação com o retorno financeiro? A pesquisa Datafolha/C6 também revelou que apenas 19% dos entrevistados conheciam o real rendimento da caderneta.

Para Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama Investimentos, a poupança pega um público que não tinha acesso a outros produtos financeiros até bem pouco tempo atrás.

“Outros investimentos passaram a ser populares há pouco tempo. Antes, abrir conta em uma corretora não era para qualquer um. Por isso, por muito tempo, a poupança foi a única opção de guardar dinheiro para muita gente”, afirma Blanco.

Mesmo a poupança antiga, que tem regras de correção mais vantajosas, está perdendo para a inflação. Em fevereiro, o rendimento nominal do regime antigo foi de 0,50%. Se descontada a inflação, que foi de 0,86% no mês, o resultado do produto ficou negativo em 0,36%.

“Ainda temos muitos investidores que mantêm poupança naquele regime antigo [mais lucrativo]. Então, principalmente eles, que conseguiram amealhar um patrimônio relevante, não mexem no saldo pois entendem que aquilo é a segurança da vida. O problema é que podem perder o poder de compra”, aponta.

Saída pela educação

Uma forma de ajudar as pessoas a entenderem mais sobre investimentos é educação financeira, pode ajudar a escolher o produto ideal para cada perfil de investidor. Segundo especialistas, esse tipo de conhecimento dá mais autonomia aos indivíduos, permitindo que consigam se organizar e definir quais são as melhores opções de investimento, de acordo com cada perfil.

Selecionamos plataformas virtuais que oferecem cursos gratuitos para ampliar o conhecimento sobre o próprio bolso:

Edu B3: a bolsa brasileira oferta diversas aulas voltadas a este assunto. As opções vão desde estruturar as finanças pessoas a dicas para melhorar a performance da carteira de investimentos.

Cidadania Financeira – BCB: o portal do Banco Central também oferece dezenas de cursos para quem quer gerenciar seus recursos financeiros. Ao acessar a plataforma, o internauta pode escolher a jornada que deseja seguir, de acordo com sua situação financeira: “estou endividado, “quero planejar” ou “quero investir”.

FGV Educação: um dos mais prestigiados centros educacionais do país disponibiliza trilhas de aprendizagem para todos os gostos. É possível aprender os fundamentos das finanças bem como programar a aposentadoria.

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