Desde antes do seu lançamento, em novembro do ano passado, especialistas já afirmavam que a implementação do Pix, novo sistema de pagamentos do Banco Central, iria estimular o lançamento de inúmeros novos serviços. E, de fato, a tecnologia, que permite transferências imediatas e gratuitas, fez surgir diversos modelos de negócios financeiros de nicho que, em outros tempos, não seriam viáveis.

Um ótimo exemplo desse movimento é o Diesel Bank, fintech que foi lançada nesta semana com o objetivo de prestar serviços financeiros específicos para caminhoneiros. A startup lançou uma conta digital que pode ser movimentada através de um cartão lançado em parceria com a Visa, e um dos seus principais atrativos é a possibilidade de cashback de 10% quando os motoristas de caminhão abastecem em postos credenciados.

A aposta é que esse modelo atrairá os caminhoneiros pela facilidade de utilização do aplicativo, que prevê que transações possam ser realizadas até mesmo de forma offline, quando não há internet em algum ponto da estrada, e pelo desconto no valor do diesel, que representa quase metade dos custos desses profissionais e que cujo preço está quase nos maiores patamares da história.

“Esse é um mercado gigantesco, mas ainda muito arcaico e informal. Ainda é muito usada a chamada carta frete para pagamento, que é uma espécie de dinheiro paralelo que é ilegal desde 2010”, afirma um dos fundadores do Diesel Bank, Lucas Rodolfo.

Um caminhoneiro, muitas contas bancárias

Sem as transferências gratuitas e automáticas permitidas pelo Pix, esse modelo não conseguiria parar de pé. Como explica Rodolfo, é comum que os caminhoneiros sejam obrigados a manter contas em diversos bancos, para que possam receber de diferentes transportadoras.

“Muitas vezes o cara tem nove, 10 contas abertas, para poder receber esse dinheiro de transportadoras diferentes. Isso porque a transportadora não quer ter que pagar TED para outro banco”, esclarece o fundador do Diesel Bank. “E precisam pagar taxas mensais para manter todas essas contas”.

De acordo com ele, mais de 90% dos caminhoneiros usam smartphones para acessar a internet. “Mas para usar banco físico para eles é complicado. Um caminhoneiro cliente nosso ouviu do banco que precisava ir na sua agência para desbloquear a conta. Mas ele estava no interior do Pernambuco, e é do Maranhão. São situações muitas vezes quase inviáveis para o caminhoneiro”.

 

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