Grandes perdedoras nos meses iniciais da pandemia de coronavírus, as ações de empresas de três segmentos da bolsa foram as que mais se destacaram nas últimas semanas: as small caps (empresas menores e que movimentam menos volume na bolsa), construção e instituições financeiras.

Esse é o cenário que é possível traçar a partir do comportamento dos principais índices setoriais da B3 nas últimas quatro semanas.

Os índices setoriais são organizados pela bolsa e, em geral, agrupam papéis de empresas de um mesmo setor da economia ou características similares.

OS ÍNDICES QUE MAIS SUBIRAM NAS ÚLTIMAS QUATRO SEMANAS  
Small Caps+12,1%
IMOB (Índice Imobiliário)+11,9%
Índice Financeiro +10,4%

Small Caps

Em primeiro lugar nesse ranking, aparece o índice Small Caps, que reúne as empresas de menor valor de mercado e que registrou alta de 12,1% no período de um mês para cá.

Uma das razões para essa recuperação é a própria queda pronunciada que esses papeis tiveram no início da crise, o que fez com que passassem a ser considerados baratos pelo mercado quando a bolsa começou a se recuperar.

“Lá atrás, quando a bolsa teve um forte recuo, o índice de small caps caiu mais do que o Ibovespa pelos receios globais com a pandemia, por questões de liquidez, de fluxo de caixa. Em um cenário assim é natural que sofram mais do que as consolidadas”, aponta Lucas Lima, analista de ações da Toro Investimentos. “Essa reação, em parte, tem a ver com o fato de que essas empresas caíram mais lá atrás”.

Mas essa não é a única razão, segundo o analista. Um dos destaques do índice é a Via Varejo, empresa que esteve entre as cinco com maior rentabilidade no primeiro semestre, e que nesta segunda (dia 20) alcançou seu maior preço na história.

“Outras empresas no radar dos investidores, como a Cogna Educação e a Yduq, também foram destaque entre os investidores, com forte valorização”, afirma o analista.

No ano, a queda do índice ainda é de 10,6%.

Setor Imobiliário

Outro destaque ao longo das últimas quatro semanas foi o Imob, como é chamado o índice que reúne empresas ligadas ao setor imobiliário, com alta de 11,9%.

De acordo com Lima, esse movimento tem a ver com o fato de que empresas do setor, como a MRV, divulgaram prévias operacionais que chamaram a atenção do mercado.

“Mesmo com o receio em torno da retomada da atividade, essas empresas estão se mostrando bastante resilientes. E os juros na mínima histórica acabam estimulando bastante o setor imobiliário”, diz Lima. “É claro que a divulgação do segundo semestre vai dar a real noção do impacto da crise, mas há um certo otimismo com a recuperação desse setor”, explica.

No acumulado do ano, o índice ainda amarga 20,4% em perdas.

Bancos

No começo da crise, o índice Financeiro, que acompanha as ações de bancos e seguradoras, foi um dos que mais sofreu. Em meio à pandemia, os bancos foram impactados com a pressão de projetos no Congresso tentando limitar taxas de juros ou mesmo prevendo aumentos de impostos cobrados do setor.

Além disso, a avaliação era que as instituições financeiras terão que lidar com elevadas taxas de inadimplência nos próximos meses, tanto de pessoas físicas como de jurídicas.

Mas esse cenário foi parcialmente revertido, com resultados para o segundo trimestre não tão ruins quanto o esperado nos bancos dos EUA. Nas últimas quatro semanas, o índice subiu 10,4%.

“Lá fora, as divulgações de resultados de vários bancos excederam a expectativa do mercado. São empresas que  já calibraram suas provisões para devedores duvidosos com receio de inadimplência, o que impactou o primeiro trimestre”.

No ano, o índice financeiro ainda registra queda de de 15,6%.

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