Quem se interessa por investimentos já deve ter lido por aí que a poupança está longe de ser a melhor opção para quem busca rentabilidade. A velha e não tão boa caderneta ainda é a escolha de uma quantidade enorme de brasileiros, graças sobretudo à simplicidade de manejo e à ausência de taxas. Mas, quando o assunto é proteger o patrimônio, ela deixa muito a desejar.

Os números divulgados pela Economatica não nos deixam mentir. A plataforma de informações financeiras colocou, lado a lado, a evolução da rentabilidade da caderneta e a variação do IPCA, índice que mede a inflação do país. E a coisa ficou feia para o lado da poupança.

A inflação medida pelo IPCA foi de 0,87% em agosto, 5,67% de janeiro até agosto deste ano e de 9,68% no acumulado de 12 meses. Considerando a rentabilidade da poupança nesses 12 meses, menos o IPCA acumulado do período, o retorno dessa aplicação ficou negativo em -7,15%. Isso significa que o investidor que aplicou na caderneta teve perda de poder aquisitivo, já que os juros pagos não chegaram a repor a perda do poder de compra provocada pela inflação.

E não é de hoje que isso acontece. O poupador vem tendo semelhante perda de poder aquisitivo todo mês desde setembro de 2020. Ou seja, em agosto de 2021, a poupança apanhou do IPCA pelo décimo segundo mês consecutivo. A novidade foi o tamanho do prejuízo: não era registrada uma perda tão grande desde outubro de 1991, quando o poupador perdeu -9,72% no acumulado dos 12 meses anteriores.

A maior sequência de meses em queda de poder aquisitivo, dentro da amostra da Economatica, aconteceu entre fevereiro de 2015 e setembro de 2016: 20 meses seguidos. Além da atual, houve outras duas sequências de 12 meses seguidos de perda de poder aquisitivo, a primeira entre novembro de 2002 e outubro de 2003 e outra de janeiro de 2013 a dezembro do mesmo ano.

O gráfico acima mostra a rentabilidade da poupança, descontada a inflação medida pelo IPCA, de 1990 até 2020, em janelas de 8 meses, de janeiro a agosto. Em 2021, a poupança teve recuo de 4,08%, valor que não era registrado para os oito primeiros meses de cada ano desde 1991. Além de 1991 e 2021, apenas em 2015 a poupança perdeu para a inflação nos oito primeiros meses do ano.

O rendimento da poupança é calculado pela soma da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central, mais 0,5% ao mês, sempre que a taxa básica de juros (Selic) estiver acima de 8,5% ao ano. Quando a Selic for igual ou inferior a 8,5% ao ano, como ocorre atualmente, a remuneração da poupança passa a ser a soma da TR com 70% da Selic.

Como a Selic está em 5,25% ao ano e a TR está zerada, a remuneração da poupança está em 3,675% ao ano.

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