O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu elevar a taxa básica de juros para 7,75% nesta quarta-feira. O ciclo de aumentos não para por aqui: daqui a seis semanas, quando o colegiado se reúne novamente, uma nova elevação deve levar a Selic para perto de dois dígitos ainda em 2021.

Diante desse movimento de alta de juros, a dúvida é sobre como adequar a carteira de investimentos ao novo cenário. “Os títulos de renda fixa, fundos de renda pós-fixados e fundos mais estruturados que compram FDIC têm ganhado muito atratividade. Isso é uma nova oportunidade que estamos vendo. Nova porque no ano passado a gente estava falando de uma taxa de juros de 2%. Neste ano já estamos falando de algo próximo a 10% para o fim do ano. Isso vai trazer um upside para a renda fixa”, afirma diz Nelson Muscari, economista e coordenador de investimentos da Guide Investimentos.

A migração para a renda fixa, tida como certa, ganhará ainda mais força, já que os investidores tendem a optar por esses produtos em momentos de turbulência econômica e política.

“A taxa de juros mexe com o psicológico do investidor. Está havendo um aumento no fluxo de títulos de renda-fixa nas carteiras”, diz Nelson Muscari.

Mas as opções de produtos renda fixa são imensas. Na hora de escolher, vale lembrar o mantra de que o investidor deve fazer escolhas de acordo com seu perfil.

Para William Eid, do Centro de Estudos em Finanças da FGV, uma boa oportunidade nesse momento de alta de juros são os títulos prefixados. Nesse tipo de produto, o investidor fixa logo no momento da contratação o retorno nominal previsto no vencimento do título. Mesmo que a Selic suba ou desça no período, essa alíquota não mudará.

“Os juros reais da renda fixa foram praticamente nulos neste ano. Mas agora, só no Tesouro Direto prefixado, você já pode encontrar títulos com retorno nominal de 10%, 11%”, diz Eid.

Mas nem tudo são flores. O risco nesse cenário é de que os juros continuem subindo, o que fará com que as taxas negociadas neste momento não se tornem tão atraentes. Também vale lembrar que um aumento maior da inflação reduzirá o retorno real do investidor. Se a inflação cair, por outro lado, o retorno real aumenta.

E os pós-fixados?

Eid explica que é preciso considerar com cautela a mudança de investimentos para quem já está alocado em opções prefixadas para aproveitar a alta do Copom. “Se o investidor já entrou num pré a 7%, ele está numa sinuca de bico”, diz, ao lembrar que haverá marcação a mercado com a venda do título antes do prazo de vencimento. “No fim, ele pode acabar trocando seis por meia dúzia. É preciso fazer a conta.”

Para Luigi Wis, da Genial Investimentos, ainda que o aumento da taxa Selic torne as opções de renda fixa prefixadas uma opção mais interessante do que outrora, isso pode mudar consideravelmente nas próximas reuniões do Copom. “Estamos no olho do furacão. É só lembrar o que aconteceu em 2015. Talvez seja melhor aguardar um pouco para fazer uma aposta numa opção prefixada”, diz.

Para quem deseja apostar na renda fixa prefixada, a recomendação de Wis é alocar recursos em produtos que permitam retirada no curto prazo. “Isso vai permitir que o investidor não imobilize seu patrimônio num cenário de incerteza”, diz.

Mas ficam os avisos: o retorno de títulos com prazos mais curtos é inferior ao dos maiores. Além disso, a alíquota do Imposto de Renda também é maior para prazos menores. É bom fazer as contas antes de sair migrando o portfólio.

E a renda variável?

Não é de hoje que os investidores estão voltando para a renda fixa. Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) apontavam que os fundos de investimento de renda fixa registravam captação líquida de R$ 237,2 bilhões, sendo R$ 34,9 bilhões em setembro. Já na renda variável, houve resgate líquido de R$ 7,8 bilhões neste ano, sendo R$ 3 bilhões somente em setembro.

“Acreditamos que esse cenário vai elevar ainda mais os juros futuros e veremos uma piora ainda maior no Ibovespa por conta disso. O prefixado, que já está em torno de 12% ao ano, começa a pesar no carrego do investidor de bolsa”, afirma Rodrigo Ferreira, trader responsável pela mesa de renda fixa do Banco ABC Brasil.

Isso não significa, no entanto, que o investidor deva abandonar imediatamente suas posições em renda variável. Segundo o economista, o investidor precisa ter em mente um objetivo de longo prazo antes.

“Um passo importante é o investidor começar o ano com mais caixa para aproveitar oportunidades que vão ser geradas pelos momentos de estresse esperados para o ano que vem”, afirma Muscari.

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