A primeira etapa do open banking, plataforma que conectará as diferentes tecnologias usadas pelo setor financeiro, entrou em vigor nesta segunda-feira (dia 1º). A expectativa é que ele permita o compartilhamento de dados de clientes entre instituições, reduzindo custos, taxas e tarifas cobradas pelos bancos.

Apesar do caráter revolucionário do novo sistema implementado pelo Banco Central, que já é realidade em outros países, os consumidores devem começar a perceber os benefícios somente a partir do segundo semestre, com a segunda fase, quando os dados de transações de conta corrente começarão a ser divididos entre as instituições financeiras.

Por enquanto, entrou em vigor somente o compartilhamento de informações dos próprios bancos, como produtos financeiros oferecidos, canais de atendimento e localização de agências, entre outros.

“São informações que você já consegue saber entrando no site de cada banco. Não deixa de ser uma forma de já ir exercitando o compartilhamento, de ir testando a rede”, avalia Alexandre Pinto, diretor de inovação e novos negócios da Matera. “Mas para o consumidor não muda muita coisa por enquanto”.

Afinal, o que é o open banking?

Para simplificar um assunto complexo: trata-se de uma plataforma que permite conectar diferentes linguagens de programação de TI (tecnologia da informação) de forma simples e rápida. Essa integração permite que correntistas façam transações de contas diferentes em um mesmo aplicativo, sem necessidade de acessar diretamente o sistema do banco.

O que pode realmente fazer a diferença para o seu bolso é a determinação, prevista nas diretrizes do Banco Central, de que o seu histórico bancário seja compartilhado pelo banco em que você tem conta com uma nova instituição financeira se você assim autorizar. É essa etapa, mais estratégica, que entra em vigor em julho.

“Na segunda fase já começa o compartilhamento de extratos de conta corrente. Se o consumidor permite que suas informações bancárias de 20 anos em um determinado banco, por exemplo, sejam compartilhadas com uma outra instituição, na qual está pedindo crédito, as taxas de juros tendem a cair”, explica Pinto, da Matera.

Essa relação de todas as transações e empréstimos que seus clientes já fizeram na vida é um dos ativos mais preciosos dos grandes bancos, e o bem mais desejado pelas instituições financeiras que chegam agora ao mercado, impulsionadas pela revolução digital.

Saber se você se endivida de forma recorrente, ou se apesar de não ter renda própria, possui uma renda familiar de três dígitos, por exemplo, dá ao banco o caminho das pedras: para quem pode ou não emprestar, e se puder, qual o risco que está correndo e que taxa de juros deve cobrar.

O novo sistema assume que os clientes são donos das suas informações, e não o banco ou a empresa que fez a coleta, o que é previsto na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), de 2018. É essa abertura que pode trazer maior concorrência ao setor bancário no Brasil, o que especialistas apontam como um dos fatores que podem derrubar os juros elevados no país.

“Hoje, ainda há uma assimetria muito grande de informações. Uma fintech [start up do setor financeiro] ou um banco que esteja chegando agora tem muito menos informação sobre risco de crédito do que um grande banco”, diz o especialista.

Outros países e desafios  

Experiências em outros países mostram os efeitos positivos do open banking para o consumidor, ainda que as regras sejam distintas. No Reino Unido, por exemplo, houve aumento da concorrência, com benefícios para os clientes.

Um dos grandes desafios desse processo será como as fintechs e bancos processarão o enorme volume de informações que passará ser disponibilizado. “Quem conseguir aproveitar melhor os dados que passarão a ser compartilhados sairá na frente”, aponta Pinto.

O custo do banco original de disponibilizar uma série de informações para outra instituição financeira também está em debate entre associações do setor e o Banco Central. “Para o banco, haverá um custo para organizar essas informações. Isso será cobrado do cliente? Esse é um aspecto que está sendo discutido”, diz o especialista da Matera.

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