É fato que o coronavírus levará a economia brasileira à pior recessão em pelo menos uma década: o estrago provocado pela pandemia sobre o PIB (Produto Interno Bruto) vem sendo sentido por boa parte da população, com perda de empregos e redução de renda.

O curioso é que, exatamente pelo tamanho da crise que estamos atravessando, vem crescendo, e muito, a quantidade de cédulas e moedas em circulação no país.

Dados do Banco Central pesquisados pelo 6 Minutos mostram que, nesta terça-feira (dia 16), havia R$ 327,9 bilhões em dinheiro físico no Brasil. Antes da pandemia começar a fazer estrago, em 16 de março, esse valor era de R$ 254,1 bilhões.

Ou seja, de lá para cá, quase R$ 74 bilhões a mais em cédulas e moedas passaram a circular por aí ou, em muitos casos, passaram a ser guardados dentro de casa, “debaixo do colchão”.

A cédula cuja circulação mais aumentou foi a de R$ 50: há 37,5% a mais dessas notas circulando da segunda semana de março para cá. Em seguida vêm as notas de R$ 20 (alta de 36,6%, na mesma comparação) e de R$ 100 (aumento de 24,8%).

Mas por que a pandemia estimulou a circulação de mais dinheiro vivo? Há algumas razões para isso.

A principal delas é o pagamento do auxílio-emergencial de R$ 600 por causa da pandemia. Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ajudam a entender esse cenário: 7 em cada 10 beneficiários do programa Bolsa Família não possuem conta bancária, e sacam esses recursos, que foram triplicados por causa do auxílio emergencial.

De acordo com o BC, uma parcela considerável desses valores ainda não retornou ao sistema bancário.

Outro ponto importante é que a quarentena imposta pelo avanço da infecção pelo país reduziu drasticamente as vendas do comércio e serviços. É só lembrar que, em abril, o volume de vendas no varejo teve queda de 16,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados do IBGE.

Ou seja, um dinheiro que normalmente seria gasto em lojas ou restaurantes acabou não fazendo esse “caminho de volta” aos bancos.

Por fim, com medo das consequências da crise, muitas pessoas e empresas estão optando por manter uma reserva de emergência em espécie.

Isso quer dizer que pode faltar cédulas? Para evitar a escassez de cédulas, o Banco Central antecipou para o mês passado um pedido de produção de cédulas no valor de R$ 9 bilhões para a Casa da Moeda.

“O pedido visa a construir estoques de segurança e mitigar eventuais consequências do fenômeno de entesouramento que se observa desde o início da pandemia”, disse a autoridade monetária em nota.

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