A nova tributação de Imposto de Renda, proposta na reforma tributária, vai afetar diretamente o bolso do investidor. Uma das polêmicas do texto é a taxação de fundos imobiliários. Hoje, os dividendos são isentos e, com a aprovação do texto, os proventos passam a ser tributados na alíquota fixa de 15%, que incide na distribuição de rendimentos, amortização e alienação das cotas dos FIIs negociados em Bolsa a partir de 2022.

Isso desesperou alguns investidores, mas não é hora de se sair vendendo todos os fundos da carteira “Se a norma passar assim, você ainda tem até 31 de dezembro para vender. Se você pensar que perder a isenção é ruim demais, ainda assim tem uns bons meses para ver se a reforma vai ser aprovada mesmo, porque tem chance de mudanças como essas não serem aprovadas. Quando a lei é aprovada, precisa de pelo menos três meses para ser implementada de fato”, disse Guilherme Cooke, sócio e head de compliance e jurídico da Vitreo, em live ao 6 Minutos (assista abaixo).

Para Cooke, o investidor de varejo vai ser beneficiado pela maior parte das mudanças propostas pela reforma. “O investidor de varejo deve continuar onde está. Acho que temos mais benefícios do que malefícios, tirando a questão dos fundos imobiliários. Para quem tem fundo, é preciso ficar esperto e acompanhar. Essa é uma discussão que vai ser difícil, porque vai ser ‘ou vai ou racha’: ou tira a isenção de tudo, ou mantém como está hoje”, afirma.

No entanto, o investidor qualificado pode ser mais prejudicado pelas novas alíquotas. “Quem for investidor profissional ou qualificado, que já tem estruturas exclusivas, familiares e investem em fundos fechado, para eles temos bastante coisa ruim para acontecer. Mas agora é o momento de ter calma, porque muita coisa pode mudar ainda e muitas alterações devem ser feitas na proposta”, afirma Cooke.

Renda fixa 

Caso a reforma seja aprovada, a tributação dos CDBs (Certificado de Depósito Bancário) vai mudar. Hoje, o imposto cobrado é progressivo: quanto mais tempo de investimento, menor a alíquota, que varia de 22,5% a 15%. A mudança determinaria imposto de 15% independentemente do prazo.

As LCIs (Letra de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letra de Crédito Agrícola) continuariam isentas. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, além de ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro.

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