Muito se fala sobre a possibilidade de portar o crédito imobiliário para outro banco e assim conseguir uma taxa de juros mais baixa e reduzir o valor das parcelas de forma significativa. O que muita gente não sabe é que pode valer a pena fazer também a portabilidade de outras modalidades com prazo longo de pagamento, como o consignado.

Um levantamento do Banco Central mostra que 47% dos tomadores desse tipo de crédito, que tem juros mais baixos pois a garantia é a renda do usuário, pagam juros acima de 25% ao ano. Os últimos dados disponíveis mostram que os bancos estão praticando uma taxa média bem menor, de 19%.

O prazo médio atual de tudo o que está emprestado nessa categoria é de 84 meses, ou seja, sete anos. Como são financiamentos longos, e a diferença de taxa ainda se mantém significativa, quem pegou esse empréstimo há alguns anos, quando os juros estavam mais altos, deve tentar renegociar ou procurar outro bancos para ver suas opções.

Reprodução/ Banco Central

 

“Quando você encontra uma condição mais barata, a portabilidade sempre vale a pena. Mas só funciona se você vai atrás”, afirma Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de estudos e pesquisas da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). “Procure a sua instituição financeira antes e pergunte: quero saber se dá para aditar meu contrato, porque há bancos me assediando para trocar.”

Em um crédito de R$ 10 mil, economia pode ser de mais de R$ 700

A pedido do 6 Minutos, Oliveira fez um cálculo sobre qual o impacto que uma taxa menor teria sobre um financiamento consignado. O exemplo é de um tomador que, há alguns anos, emprestou R$ 10 mil a uma taxa de 25% ao ano, ou 1,88% ao mês, para pagar em 48 parcelas.

Após 12 meses, se esse cliente decidir fazer uma portabilidade para um banco que está cobrando juros de 19% ao ano, ou 1,46% ao mês, passará a ter um saldo devedor de R$ 10.687,68. Se continuasse com a taxa de juros anterior, arcaria com um valor total de R$ 11.451, uma economia de R$ 764,28.

Esse é apenas um exemplo. Essa redução no valor a ser pago pode ser ainda maior se a taxa do seu empréstimo consignado está ainda maior que 25%, e depende também do valor financiado.

O diretor executivo da Anefac lembra que a Selic está subindo, assim como a inadimplência, o que deve acarretar alta nas taxas ao longo deste ano. “A portabilidade funciona bem quando você tem um ambiente de juros em queda”, lembra.

Mecanismo ainda tem uso muito reduzido, aponta BC

A possibilidade de levar um financiamento para outro banco foi criada em 2006, mas só começou a ganhar tração nos últimos três anos, quando o impacto da queda na taxa básica de juros, a Selic, se tornou mais evidente sobre as operações.

No ano passado, esse mecanismo teve alta de mais de 200% no caso do crédito imobiliário, mas ainda há 493 mil famílias pagando juros acima de 10% ao ano (a modalidade possui hoje uma taxa média de 7%). No caso do crédito consignado e de veículos, essa baixa utilização da portabilidade é ainda mais evidente, segundo o Banco Central.

“O potencial não realizado de portabilidade é ainda mais expressivo para modalidades como crédito consignado e aquisição de veículos”, afirmam os pesquisadores do BC no estudo. “De forma geral, o objetivo da portabilidade de crédito é permitir, ao devedor, a busca de condições mais vantajosas para uma operação de crédito em curso. Esse conceito coloca a portabilidade como importante estímulo à concorrência entre as instituições financeiras, que podem oferecer melhores condições para um cliente em função de seus diferenciais competitivos.”

 

 

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