A economia do país dá sinais de melhora, o desemprego começa a cair e o salário médio se manteve estável ao longo de 2019, mas 23,8% dos brasileiros estão com dívidas ou contas atrasadas há cerca de dois meses.

O percentual é maior que em janeiro do ano passado, quando ficou em 22,9%, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor,  divulgados nesta quinta-feira (6) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Desse grupo, 9,6% afirmam não ter condições de quitar a dívida. O percentual é maior que em janeiro passado (9,1%) e representa a média entre dois grupos, o de consumidores que recebem menos de dez salário mínimos e os que recebem mais. Os brasileiros que se consideram muito endividados também aumentaram na comparação anual, passando de 12% em janeiro passado para 14,5% no primeiro mês de 2020.

Tanto quem tem conta atrasada quanto quem está superendividado está mais exposto aos juros cobrados no cartão de crédito e multas por atraso, o que tende a aumentar o tamanho da dívida, em um efeito “bola de neve”.

Que outros dados a pesquisa trouxe? Mais pessoas estão consumindo e dois em cada três brasileiros (65,3%) estão com alguma compra parcelada. As principais modalidades são cartão de crédito (79,8%), carnês de lojas (15,9%) e financiamento de carro (10,9%). Em média, o parcelamento dura sete meses.

A parcela média da renda comprometida com o pagamento desses parcelamentos e dívidas ficou praticamente estável na comparação anual, oscilando de 29,7% para 29,4%. O percentual é o menor desde maio de 2019.

O que isso significa? Tais resultados sinalizam um aquecimento do consumo estimulado tanto pela melhora da confiança quanto pelo desempenho da economia, com a retomada o mercado de crédito, que coloca mais dinheiro na mão do consumidor.

Entretanto os dados também mostram que é preciso cautela com as dívidas, que não deveriam ser maiores que a capacidade de pagamento. Em tese, a fatia máxima da renda mensal que pode ser comprometida com o pagamento de dívidas é 30% — ou seja, o brasileiro está bem próximo desse teto.

Qual o tamanho da pesquisa? A CNC ouviu 18 mil consumidores de todo o país. O objetivo da pesquisa é traçar um perfil do endividamento, permitindo o acompanhamento do nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção em relação a sua capacidade de pagamento.

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