Apesar da forte queda dos juros básicos da economia de 2016 para cá, e da consequente redução do retorno dos investimentos que seguem a taxa Selic, a taxa de administração média cobrada por fundos de renda fixa no Brasil se manteve quase intocada nos últimos quatro anos, girando em torno de 1% no período.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que o percentual cobrado pelos fundos brasileiros de renda fixa para administrar recursos estava em 1,03% em setembro, até acima do percentual registrado no ano passado (0,99%).

Em 2016 (ano em que a Selic, na época em 14,25% ao ano, começou a cair), a média da taxa de administração para esse tipo de fundo, que normalmente aplica em investimentos mais conservadores, estava em 1,02%, mesmo patamar de hoje. Atualmente, a taxa básica está em 4,5%, a menor da história.

Ou seja, a despeito de o retorno desses fundos ter diminuído bastante, o percentual cobrado pelos bancos e gestores para administrar o patrimônio permanece o mesmo, o que penaliza a rentabilidade.

Por quê a taxa de administração resiste no mesmo patamar? É tudo uma questão de oferta e demanda. O mais provável é que os bancos avaliem que não há um movimento de saída de investidores desses fundos que justifique reduzir o valor cobrado para administração.

A taxa de administração é um preço. Conforme a taxa de juros vai caindo, ela penaliza mais a rentabilidade”, afirma Hudson Bessa, especialista em fundos de investimentos e sócio da HB Escola de Negócios. “O banco pode baixar a taxa para melhorar a rentabilidade dos seus produtos e tentar captar mais recursos, remunerando seu negócio, ou pode apostar que não terá perdas significativas de captação se mantiver as taxas”.

Na avaliação de Marcelo Romero, diretor de investimentos da Magnetis, é fato que existe uma pressão sobre os gestores por redução nas taxas de administração.

“Mas existe uma inércia no processo. Normalmente, os grandes bancos são os que possuem a maior fatia do mercado de fundos, e são os últimos a reduzir as taxas, mesmo que isso signifique entregar retornos modernos para os clientes durante um tempo”.

Desde 2016, os fundos de investimento em renda fixa dos grandes bancos vêm perdendo em rentabilidade para os fundos conservadores dos demais gestores.

Mais: com exceção de 2017, esses fundos de bancos de varejo, na média, não conseguiram entregar 100% do CDI (Certificado de Depósitos Interbancário) no período entre 2013 e este ano. Ou seja, não alcançaram a remuneração mínima que o investidor consegue no mercado com risco quase zero.

O que deve acontecer daqui para a frente? A tendência é de queda da taxa de administração dos fundos de renda fixa? Sim. Mas o mais provável é que isso ocorra de forma lenta, até porque as taxas de administração representam uma fatia importante do resultado dos bancos.

Relatório do J.P.Morgan mostra que taxas de administração representam 22% do ganho total do Banco do Brasil com tarifas em geral. Esse percentual é de 12% no caso do Bradesco, 13% no do Itaú e 6% do Santader.

A expansão dos gestores independentes de fundos, entretanto, tende a pressionar essas taxas para baixo.

“Quando os independentes lançaram uma gama de produtos de previdência, desde o final de 2015, os clientes passaram a ter acesso a custos menores. Isso forçou os grandes bancos a extinguirem, por exemplo, a famosa taxa de carregamento na maioria dos fundos”, exemplifica Romero, da Magnetis.

O mesmo relatório do J.P. Morgan revela que as 5 maiores instituições financeiras do país (Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander) estão perdendo cotistas de fundos para as gestoras independentes, como apontou reportagem do 6 Minutos.

Como saber se a taxa de administração do meu fundo de renda fixa realmente está “comendo” meus rendimentos? Um bom caminho é olhar a lâmina de informações essenciais do fundo, que em geral está disponível no banco ou corretora que oferece aquele produto e que é uma espécie de guia para aquela aplicação.

Dentro da lâmina, procure o “exemplo comparativo”, que te dá o rendimento e a despesa com o fundo, após um ano, a cada R$ 1.000 aplicados.

 

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