A despeito do recuo do governo na decisão de distribuir 100% dos lucros do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), o Fundo ainda pode render, em 2020, mais do que a poupança e do que fundos que seguem o CDI (Certificação de Depósito Interbancário).

Em vez de 5,6%, retorno projetado em caso de repasse integral do resultado, o FGTS deve passar a ter rentabilidade de 4,3% (considerando-se a distribuição usual de 50%), ainda acima de poupança e fundos DI.

Isso acontece por causa da queda da taxa básica da economia, a Selic. Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), os juros voltaram a ser cortados, para 4,5% ao ano.

O movimento faz com que investimentos em poupança (que paga 70% da Selic mais a Taxa Referencial, hoje zerada) e em renda fixa percam rentabilidade, aumentando a “competitividade”, por assim dizer, dos recursos depositados no FGTS.

Como era a rentabilidade, e como fica a partir de agora? Antes do veto do presidente Jair Bolsonaro à distribuição integral do resultado (100%), o rendimento referente a 2019 (a ser pago em 2020) seria de 5,6%.

Se o conselho do FGTS seguir a praxe dos anos anteriores, de distribuir 50% dos lucros do Fundo, a rentabilidade passará a ser de 4,3% no ano que vem, bem acima dos 3,15% de rendimento da poupança hoje.

O CDI, taxa que segue a Selic e que é referência do mercado para investimentos em renda fixa, está hoje em 4,4%, quase o mesmo retorno do Fundo.

Considerando-se que ainda há desconto do Imposto de Renda, que é cobrado em muitas aplicações de renda fixa, o FGTS ganha em rentabilidade, por ser isento.

Para as aplicações de até 180 dias, por exemplo. os fundos de investimento pagam uma alíquota de IR de 22,5% sobre a rentabilidade.

Me explica melhor a nova rentabilidade? Vamos lá. A correção do FGTS é de 3% mais TR (taxa que hoje está zerada). Além disso, como um rendimento adicional, o Fundo divide com os cotistas uma parcela do resultado.

O cálculo é feito se tomando a fatia do lucro do Fundo que será dividido com os trabalhadores (neste ano, a projeção é que o resultado total seja de R$ 11,5 bilhões) dividida pelo valor total de depósitos (R$ 438,7 bilhões).

Se essa divisão fosse de 100%, cada cotista teria 2,6% a mais. Somando-se os 3% de correção, a rentabilidade iria para 5,6%.

Como o percentual deve voltar a ser de 50% (o governo não estabeleceu um novo, mas essa vem sendo a regra nos últimos anos), a divisão geraria uma rentabilidade adicional de 1,3% (ou de 4,3%, somando-se os 3% mais TR).

No final das contas, o melhor conselho é sacar o FGTS ou deixar depositado? Tudo depende muito do seu perfil e da aplicação que tem em mente. Especialistas afirmam que o melhor a levar em conta nessa hora é qual o seu objetivo com o dinheiro.

Se você sacar para pagar dívidas com elevadas taxas de juros, aproveitar a liberação do saque do FGTS e retirar os recursos é, sem dúvida, o melhor caminho.

“Quando você pensa que no Brasil a utilização do cheque especial paga juros altíssimos, sem dúvida quem possui dívidas deve sacar o Fundo para quitar esse débito”, recomenda George Sales, professor de Finanças do Ibmec-SP.

Se a ideia é aplicar esse dinheiro, entretanto, talvez não valha a pena, dependendo do investimento e do montante disponível para ser sacado. “Se for para investir em poupança, é melhor deixar no Fundo, sem dúvida”, diz Sales.

Além disso, fique atento ao rendimento dos fundos de renda fixa DI, que possuem pelo menos 95% do patrimônio aplicados em Selic ou títulos privados de baixíssimo risco: muitos possuem taxas de administração elevadas e uma parcela expressiva está com rendimento negativo, quando se considera a inflação do período.

“Depende muito do quanto a pessoa tem no Fundo. Se são valores pequenos, mesmo que se encontre uma aplicação que renda mais, a rentabilização é modesta. E sempre existe a tentação de sacar e acabar usando esse dinheiro para consumo em vez da aplicação”, alerta Roberto Vertamatti, diretor da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças).

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