Luxo x menor preço. Empresas de varejo voltadas para os extremos da pirâmide social devem revelar bons resultados neste terceiro trimestre. A temporada de balanços do varejo começa nesta semana com a divulgação dos números da Grendene e do Assaí, ambos na quinta-feira (dia 28). Na semana que vem, logo depois do feriado de Finados, saem os números do GPA e da Arezzo.

Os números de desempenho do comércio do IBGE mostram que o setor não anda muito bem. A inflação e o desemprego em alta não dão muita folga para as famílias saírem gastando. Em agosto, último dado disponível, as vendas recuaram 3,1% puxadas, principalmente, pela queda verificada pelas lojas de departamentos.

Mas, afinal, o que os investidores devem esperar dos resultados das empresas do setor? Danniela Eiger, head de varejo e co-head de equity research da XP, diz que as empresas focadas no público de maior renda devem ter se saído melhores nesse trimestre.

“As classes mais altas são mais resilientes ao impacto da inflação do que as de classe mais baixa. O segundo ponto é que a classe alta acabou poupando na pandemia. Mesmo sem querer, cortou gastos com restaurantes, viagens, passeio no shopping. Essa poupança forçada permite que esse público volte a consumir”, afirma.

Fazem parte desse grupo empresas que atingem o público de maior renda a Arezzo (dona da Reserva, Anacapri, Schutz), Soma (Animale, Farm e Hering) e Vivara.

Além disso, segundo ela, o avanço da vacinação vem impulsionado o chamado consumo de vingança (espécie de compensação). “Há muita demanda reprimida. Esses consumidores ficaram quase dois anos confinados e agora querem voltar a comprar. O consumo de vingança tende a beneficiar os bens de luxo”, afirma Danniela.

A head de varejo cita a Arezzo como destaque do segmento, porque conseguiu trazer lançamentos mesmo durante a pandemia. “Ela deveria ser muito impactada, mas executou uma boa estratégia: lançou linhas para se usar em casa, como chinelos e pantufas. Agora, com a volta ao convívio social e trabalho híbrodo, ela deve se beneficiar.”

Extremos da balança

No outro extremo estão empresas em que o preço baixo é o grande atrativo. Esse é o caso do atacarejo Assaí. “Quando a gente separa a receita de supermercado do atacarejo, dá para ver que o atacarejo é o grande destaque. Os supermercados tiveram um trimestre desafiador, queda na receita de bens não alimentares (eletrodomésticos, por exemplo). E o cenário macro, com alta de preços, torna a situação mais desafiadora”, diz Danniella.

A volta ao convívio social também modifica a dinâmica de consumo no supermercado. “Se antes as pessoas faziam todas as refeições do dia em casa, agora elas começam a comer fora. Isso reduz consumo no supermercado”, afirma a executiva.

Por outro lado, isso beneficia o atacarejo. “A inflação deve levar mais gente a migrar para esse canal, que oferece a melhor alternativa de custo. Ao mesmo tempo, o atacarejo se beneficia da retomada de bares e restaurantes, pois também vende para esses segmentos”, diz Danniela.

O e-commerce?

Empresas de e-commerce como Magalu, Via e Americanas, que brilharam nos últimos trimestres, podem sentir o baque na desaceleração das vendas neste terceiro trimestre. “O cenário para essas empresas é bem desafiador. O desempenho do varejo físico da Americanas e Via ainda não retomou o patamar pré-pandemia. Magalu deve retomar. Mas a rentabilidade é um ponto de atenção. As empresas deram muito cashback, muito incentivo para o seller.”

Além disso, segundo elas, o setor está sendo pressionado pela inflação e aumento do dólar, que eleva ainda mais o preço dos produtos de maior importância. “A desvalorização cambial gera um desbalanceamento da cadeia de suprimentos. O consumidor não aceita o repasse e pressiona as margens”, afirma Danniela.

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