As debêntures, títulos de dívida de empresas negociados na bolsa de valores, estão ganhando espaço na carteira dos investidores. Entre 2017 e 2019, a liquidez desses produtos aumentou 174% se comparados os períodos entre janeiro e novembro desses anos. Neste ano, R$ 99 bilhões foram movimentados no chamado mercado secundário, mostrou levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

O que é mercado secundário? A negociação de títulos e ativos feita diretamente entre investidores, fora de plataformas como as corretoras. Ali são comprados e vendidos títulos com vencimento de longo prazo e de baixa liquidez. É no mercado secundário que esses títulos ganham liquidez e os investidores conseguem retornos antes do vencimento final.

Por que as debêntures estão sendo mais negociadas? Segundo a Anbima, o movimento é fruto da queda na taxa de juros e, do ponto de vista das empresas, maior demanda por instrumentos de crédito privado, já que os financiamentos públicos via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) estão menores e menos frequentes.

Como há mais debêntures na praça, fundos de investimento passaram a ter maior participação na distribuição das ofertas públicas destes produtos, uma vez que começaram a focar em estratégias dedicadas aos ativos de crédito privado. O retorno sobre esses títulos está maior que o CDI.

Quem são os compradores de debênture?

  • 52% foi comprada por fundos
  • 37% foi comprada por instituições ligadas aos próprios emissores

O caso das debêntures incentivadas: As debêntures incentivadas são as de empresas do setor de infraestrutura.Como elas fazem obras necessárias ao país, são 100% isentas de imposto de renda. No cenário de mais debêntures sendo emitidas, esse tipo tem sido bastante negociado. Em 2019, esses papéis registraram giro de 48% em 2019 (novembro) contra 33%, entre janeiro e novembro de 2017; seguidos das debêntures remuneradas pelo DI (27%) e das indexadas ao IPCA e sem isenção (24%).

Entretanto, é preciso cautela. As debêntures não são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e o investidor corre o risco de perder dinheiro se a empresa der calote, como aconteceu no caso das debêntures da Rodovias do Tietê.

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