Dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta quinta-feira (6) mostram que o volume total de investimentos das pessoas físicas cresceu 12% em 2019, chegando a R$ 3,2 trilhões em dezembro. O movimento foi marcado pelo aumento da exposição dos investidores a ativos de maior risco, que foram aqueles, em muitos casos, que ofereciam um potencial maior de retorno.

A maior parte da alta ficou concentrada no segmento de private banking, direcionado a clientes com, no mínimo, R$ 3 milhões para investir. O volume aplicado por esse grupo cresceu 21%, chegando a R$ 1,3 trilhão.

Na sequência veio o varejo de alta renda, que cresceu 13,2% e chegou a R$ 987,9 bilhões. Por fim ficou o varejo tradicional, que subiu apenas 1% e agora soma R$ 968,3 bilhões em capital investido.

Os critérios para definição de cliente de “alta renda” são definidos por cada instituição financeira.

Quais as razões para a diferença? A diferença no crescimento entre os grupos com capital disponível para investir não é a toa. Os números da associação mostram que esses segmentos caminharam a passos largos para ativos de maior risco no ano passado, em reação às sucessivas quedas na taxa básica de juros, a Selic.

A Selic mais baixa derrubou a rentabilidade dos ativos de renda fixa, levando a uma migração de recursos para a bolsa. O Ibovespa, índice de referência da bolsa brasileira, subiu quase 32% no ano passado.

Vamos aos números: No segmento de private banking, o volume investido em ações subiu quase 52% em 2019, chegando a R$ 223,6 bilhões. A opção por fundos de investimento cresceu 19%, para R$ 644 bilhões. Por outro lado, o montante em renda fixa subiu apenas 0,65%.

Com os resultados, a exposição a ativos de risco (fundos multimercados, fundos de ações e ações) de quem está no segmento chegou a 56,9%. Para efeito de comparação, esse percentual é de 18,1% (era 15,1% no final de 2018) no varejo de alta renda e de apenas 2,8% (1,9% doze meses atrás) no varejo tradicional.

Poupança cresce no varejo: Em contrapartida, a aplicação mais comum dos brasileiros, a caderneta de poupança, que hoje tem rendimento negativo (se comparada à inflação), cresceu ainda mais entre as aplicações do varejo tradicional em termos relativos, passando de 64,6% para 68,2% do total.

Na avaliação da Anbima, uma das razões para esse resultado foi a liberação de saques do FGTS, na sua maioria limitados a R$ 500. Tais recursos foram, em parte, direcionados para a caderneta.

Entre o varejo de alta renda, por outro lado, a poupança perdeu participação, com leve queda para 12,5% (a fatia era de 12,8% em 2018).

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