Dando continuidade ao movimento iniciado no ano passado, a bolsa permitiu que o pequeno investidor possa aplicar recursos em fundos de índices de outros países, como os de bolsas dos Estados Unidos, China, Japão ou Europa, aqui no Brasil.

Essa ponte é feita através dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts, na sigla em inglês), que são certificados que representam papéis negociados em outros países, e que se valorizam ou desvalorizam de acordo com a movimentação em seus mercados de origem.

Em outubro do ano passado, as pessoas físicas com menos de R$ 1 milhão aplicados começaram a ter acesso a esses papéis que replicam ações de empresas gringas, e no início deste mês essa liberação foi ampliada também para BDRs dos chamados fundos de índice, os ETFs.

Me explica melhor como funcionam os ETFs? Os ETFs (Exchange-Traded Funds) são fundos que entregam o mesmo desempenho de índices de bolsas de valores.

Também podem acompanhar o rendimento de títulos públicos ou metais, entre outros. Em geral, como já possuem uma meta pré-estabelecida (a variação do Ibovespa ou do americano S&P 500, por exemplo), dispensam uma gestão ativa, e portanto custam menos em taxas de administração para o investidor.

No Brasil, estão disponíveis ETFs brasileiros de diversos índices, como os que acompanham o Ibovespa, o Ifix (índice de fundos imobiliários) e o Idiv (índice de dividendos), entre muitos outros.

E o que são os BDRs de índices de fundo? O BDR é uma forma de investir, no Brasil, em papéis negociados no exterior: ao adquirir essa aplicação, você está comprando um recibo lastreado com ações de uma empresa estrangeira ou, neste caso, com cotas de um ETF gringo.

O emissor desse papel (que pode ser o próprio fundo estrangeiro ou uma instituição financeira autorizada por ele) faz uma reserva  para garantir o equivalente ao seu investimento.

E quais índices estão à disposição do pequeno investidor? Segundo a B3, atualmente há 11 BDRs de fundos de índices estrangeiros que podem ser adquiridos.

Há produtos para todos os gostos: índices que seguem a variação de empresas americanas (S&P 500), empresas de países emergentes (MSCI Emerging Markets), da China (MSCI China ETF) e das cotações do ouro (Gold Trust).

Veja a lista completa abaixo:

  • iShares MSCI All Country Asia ex Japan ETF
  • iShares MSCI ACWI ETF
  • iShares ESG Aware MSCI EAFE ETF
  • iShares ESG Aware MSCI USA ETF
  • iShares MSCI China ETF
  • iShares Gold Trust
  • iShares MSCI EAFE ETF
  • iShares MSCI Japan ETF
  • iShares Core MSCI Emerging Markets ETF
  • iShares Core MSCI Europe ETF
  • iShares Core S&P 500 ETF

No mercado brasileiro, já era possível adquirir um ETF do S&P 500, como produtos da Black Rock ou do Itaú. Qual a diferença para os BDRs? Em geral, o BDR é mais barato. Por outro lado, são papéis com menor liquidez, já que estão começando a ser negociados agora. Veja abaixo a lista de diferenças:

  • custos menores: a taxa de administração cobrada dos clientes é maior no caso dos produtos que já eram vendidos no Brasil. O IVVB11 da Black Rock, por exemplo, tem uma taxa de 0,20%, mais o custo do próprio ETF nos EUA (de 0,03%). O BDR cobra somente a taxa de 0,03%
  • cotas menores: o valor mínimo a ser comprado é quatro vezes menor no caso dos BDRs
  • maior diversidade: é possível comprar BDRs baseados em índices de empresas chinesas, europeias, de mercados emergentes ou de empresas ESG
  • menos liquidez: como os BDRs ainda estão começando a engatinhar no Brasil, esses papéis ainda possuem menor liquidez em relação aos ETFs que já eram comercializados

E quais as vantagens de um BDR de fundo de índice estrangeiro? A diversificação é a principal delas. Comprar ETFs que acompanham o movimento de mercados estrangeiros é uma forma de não ficar limitado apenas aos riscos próprios da economia brasileira.

Além disso, é uma possibilidade de ter um bom desempenho a custos mais baixos, já que as taxas dos ETFs são menores.

Tiago Franco, especialista em investimentos, lembra que os ETFs surgiram por causa da constatação de que a maior parte dos fundos não consegue bater o benchmark (meta que, no caso de um fundo de ações, em geral é um índice).

A ideia para resolver a questão foi criar um fundo que entregasse o mesmo desempenho de índices já estabelecidos no mercado cobrando menos dos investidores, e deu tão certo que atualmente quase metade do mercado dos EUA, por exemplo, se compõe de investimentos em ETFs.

“Os ETFs surgiram de um debate lá fora que discutia se os gestores de fundos realmente conseguem bater o mercado. Em um mercado maduro, como o americano, somente 15% a 20% do mercado realmente consegue ter uma performance melhor do que o dos principais índices, e cobram bastante por isso”, explica.

“Para aquele investidor que está começando, é um instrumento interessante. Permite uma diversificação enorme com o capital reduzido”, avalia Daniel Herrena, analista da Toro Investimentos.

E quais as desvantagens? Analistas avaliam que, para quem tem maior conhecimento do mercado e mais recursos à disposição, é mais interessante investir diretamente em ações, já que nesse caso não se paga taxa de administração e permite mais liberdade na escolha de papeis.

“O ideal é sempre investir direto na ação, porque não paga taxas e você tem uma flexibilidade de fazer escolhas melhores. Um ETF é um grande pacote, você acaba pegando um grande sacolão de ações, pouco bem desenhado. Mas tem a questão de capital, há um custo maior de se escolher ação por ação, e demanda maior conhecimento”, avalia Herrera, da Toro.

Outro ponto que o investidor deve levar em consideração é que o investimento em BDRs, seja de ações seja de ETFs, embute um risco cambial.

A maior parte dos analistas acredita que o dólar vai se desvalorizar até o final do ano.

Por fim, esse é um mercado ainda sem liquidez (em outras palavras, há pouco volume financeiro envolvido ainda, o que tende a dificultar ao investidor na hora de vender seus papéis ao preço desejado). “O BDR tende a crescer, mas por enquanto tem um pedágio que é a falta de liquidez”, aponta Renan Schaefer, diretor-executivo da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs).

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