Quanto menos intermediários, menos o cliente pagará pelo produto financeiro que está adquirindo. E quanto mais automatizado e personalizado for o processo de seleção desses investimentos, com  adequação ao perfil e objetivos do consumidor, melhor. Essa é a ideia por trás do chamado investimento 3.0, que é visto como uma alternativa à atual indústria de investimentos no Brasil, concentrada em bancos e grandes corretoras.

Nos últimos anos, surgiram empresas como a Magnetis, a Monetus e a Warren, que, em maior ou menor escala, utilizam robôs para montar a carteira ideal para aquele cliente, dependendo de quanto de risco está disposto a tomar e em quanto tempo quer resgatar suas aplicações.

Uma das principais vantagens desse modelo é o custo menor: a tecnologia substitui a mão de obra necessária para avaliar as muitas opções de investimento existentes no mercado brasileiro, e esse ganho de escala acaba reduzindo o custo final para o cliente.

Além disso, diferentemente de um gerente de banco ou agente autônomo, que muitas vezes focam mais na oferta de determinados produtos financeiros, a ideia desse modelo é  construir um portfólio mais balanceado de aplicações.

Risco e tempo de resgate

Ao entrar na página dessas plataformas, o candidato a investidor em geral é direcionado a uma área em que responde a algumas perguntas como qual a sua renda, sua disposição a tomar riscos e o que pretende com aquela aplicação, entre outras.

Na Magnetis, por exemplo, uma das questões é: “Vamos supor que você tenha feito uma aplicação de longo prazo. No primeiro ano, essa aplicação perde 10% do seu valor. O que você faz?” As opções são: “vendo tudo”, “mantenho minha aplicação” ou “aproveito e compro mais”.

O objetivo desse tipo de questão, que se repete com outras palavras nas outras plataformas, é saber o quão arrojado ou conservador você é. Outras perguntas têm a ver com o objetivos dos investimentos: comprar um imóvel, garantir a aposentadoria, viajar, aumentar o patrimônio, entre outros.

Em outras palavras, o prazo em que pretende resgatar, o que vai determinar o tipo de aplicação que será recomendada.

Saber se o investidor quer multiplicar seu patrimônio, se tem uma meta específica ou se está guardando para ter uma reserva de emergência também é um dos focos desses robôs de investimento.

“A ideia é avaliar o seu perfil e objetivos. Se aposentar em Floripa, a faculdade das crianças, como fica a sua reserva de emergência, qual dinheiro que vai usar no curto prazo”, afirma Tito Gusmão, CEO da Warren.

O alcance da tecnologia ao longo desse processo varia de plataforma para plataforma.

Em algumas delas, após a primeira triagem feita pelo robô de investimento, a decisão de alocar recursos em ações, por exemplo, é tomada por um gestor de carne e osso.

Para Patrick O’Grady, CEO da gestora digital Vitreo, essa é uma forma de democratização dos investimentos da alta renda, que costumam ser mais personalizados.

“O cliente responde um questionário. Através dele, a gente descobre se gosta ou não de tomar risco, o horizonte de investimento, suas obrigações nos próximos 12 meses, suas despesas de saúde, as despesas com educação dos filhos, etc. Isso não é novidade na alta renda, é novidade no varejo”, diz O’Grady. “A tecnologia tem um papel fundamental nisso, porque permite ter escala”.

Limitações

Há limitações para esse modelo, entretanto. O questionário apresentado pelas plataformas é simples, e não necessariamente vai identificar as sutilezas de cada investidor –no mercado, a avaliação é que o modelo ainda passará por uma série de aprimoramentos.

Outra crítica que costuma ser feita é que o uso da tecnologia é importante, mas a decisão final deve ser tomada por um gestor.

“Achamos que a tecnologia serve para aproximar as pessoas, e não para separá-las. Gostamos, mas não descartamos o fator humano”, pondera Valter Police, diretor de planejamento financeiro da empresa de gestão de investimentos Fiduc.

 

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