As estatísticas impressionam. Em pouco mais de 18 meses, triplicou o número de brasileiros com investimentos na Bolsa de Valores. Segundo a B3, o total de CPFs ativos passou de 1 milhão, em maio de 2019, para 3,2 milhões neste mês. No caso das mulheres, o avanço é ainda mais expressivo: de 179 mil em 2018 para mais de 800 mil dois anos depois.

Não houve só um crescimento quantitativo. O perfil do investidor também mudou. Os novatos se dizem preocupados em aprender como funciona o mercado, preservam as suas posições por mais tempo e estão diversificando mais os seus portfólios.

“O novo investidor tem um perfil muito mais antenado e bem informado”, afirma Felipe Paiva, Diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoas Físicas da B3. “O risco de haver frustração é muito baixo. Os investidores chegam cada vez mais preparados para o mercado de renda variável”.

Essas são algumas das conclusões de uma pesquisa encomendada pela B3 para traçar o perfil dos novos investidores brasileiros. Foram ouvidas 1371 pessoas que ingressaram na Bolsa entre abril de 2019 e abril de 2010. Contamos mais detalhes sobre essa pesquisa aqui.

Portfólio diversificado

Uma das regras de ouro dos investimentos recomenda que não se coloque todos os ovos na mesma cesta. E os investidores novatos parecem comprometidos com essa máxima, segundo a pesquisa da B3.

Quando são consideradas apenas as pessoas físicas com mais de R$ 10 mil investidos, mais da metade desse grupo possui pelo menos cinco ativos em sua carteira — um indicativo de diversificação. E mesmo entre os pequenos investidores, que possuem menos de R$ 10 mil aplicados, só um em cada quatro concentram todos os seus recursos em um único ativo.

A diversificação não é só de ações, mas também de produtos, e ela fica mais evidente na comparação com o passado. Em 2016, 8 em cada 10 pessoas físicas com posições na Bolsa tinham apenas ações em seus portfólios. Hoje, esse número caiu para 5 em cada 10 — com destaque para os fundos imobiliários, que aparecem entre os produtos favoritos dos novos investidores.

Oportunidade para crescer

Ao todo, a B3 contabiliza 9,2 milhões de pessoas físicas em sua base. Mas, desse contingente, 66% investem exclusivamente em produtos de Renda Fixa, como CDB, LCA e LCI. Um cenário diferente dos EUA, onde 55% dos adultos possuem investimentos em renda variável. Ou seja, há espaço para crescer, e o caminho passa pela educação financeira. “A educação e a busca por mais informações sobre os produtos leva à diversificação, o conhecimento do investidor sobre o perfil dele e do seu apetite para o risco”, afirma Paiva.

Uma oportunidade de expansão está no mercado de ETFs. Embora seja um produto mais “simples”, por reproduzirem índices e não demandar do investidor um acompanhamento mais próximo dos resultados financeiros das empresas, esses papeis só são conhecidos por 29% dos novos investidores — um percentual muito mais baixo do que o observado em ações (88%), Fundos Imobiliários (74%) ou Fundos de Investimentos (61%).

“Com o surgimento de novos produtos, estamos pesquisando a popularização das ETFs nos Estados Unidos. É um processo lento, mas constante”, diz Paiva.

Quatro em cada cinco entrevistados declarou ter interesse em ações de grandes empresas internacionais, como Apple, Google e Facebook. Porém, apenas 100 mil CPFs já fizeram operações com BDR.

Segundo a B3, apenas 15 mil pessoas possuem investimentos nos 4 grandes grupos de ativos: Tesouro Direito, Renda Fixa, Ações e Derivativos. Ou seja, ainda que o rumo esteja certo, há um longo caminho a ser percorrido.

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