Apesar da queda significativa dos juros cobradas nos financiamentos imobiliários, e da disparada nos pedidos de portabilidade no ano passado, ainda há 493 mil tomadores (o equivalente a R$ 63 bilhões em empréstimos) pagando taxas de mais de 10% ao ano. Em 2019, eram 570 mil famílias com empréstimos nessas condições.

É o que mostra um estudo divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (dia 25), que lembra que essas operações podem ser portadas para outro banco ou renegociadas e pagar uma taxa média de 7% ao ano.

Em média, os financiamentos transferidos de instituição em 2020 conseguiram um desconto de 2,9 pontos percentuais na taxa de juros. A economia, dependendo do valor do imóvel, pode ultrapassar R$ 1,5 mil na parcela.

“A redução do número de parcelas é expressiva nas portabilidades de crédito imobiliário. É possível que a economia com o pagamento de juros seja utilizada na amortização da operação, o que contribui para a redução do custo total do financiamento”, afirmou o BC.

O mecanismo, apesar de estar em vigor há sete anos, vem ganhando força de 2019 para cá, com o aprofundamento da queda dos juros básicos.

A troca de um banco pelo outro é somente o aspecto mais visível desse processo. O próprio pedido de portabilidade muitas vezes leva a um processo de renegociação de taxa mais baixa com o banco de origem, o que não aparece nas estatísticas.

Crédito consignado e veículos

O BC cita ainda o potencial não realizado da portabilidade em outras modalidades de empréstimo, como crédito consignado e aquisição de veículos.

“Nessas modalidades, respectivamente 47% e 28% dos tomadores (25% e 12% do saldo) ativos em dezembro de 2020 estão em operações com taxas de juros acima de 25% a.a., enquanto as taxas médias em 2020 foram de 19,7% e 19,3% ao ano”, aponta o BC.

Tira dúvidas da portabilidade

Veja abaixo as principais dúvidas sobre portabilidade, e como proceder para conseguir uma taxa de juros mais baixa.

Qual o caminho para pedir a portabilidade? O cliente deve pedir ao banco um extrato do saldo devedor do seu financiamento, prestações e também do custo efetivo total do financiamento. Depois, deve procurar outras instituições financeiras em busca de uma oferta melhor.

Depois da aprovação do crédito, as instituições pedem o saldo devedor para o outro banco, que tem até 10 dias para passar essa informação.

A portabilidade sempre vale a pena? Não. Além da taxa de juros, há outras despesas que acabam incidindo sobre o valor que você paga todos os meses, como a tarifa da conta bancária que você terá que abrir e os seguros obrigatórios a serem pagos, por morte e invalidez permanente, que são incluídos no financiamento imobiliário.

A dica é: peça ao banco atual e para aquele para o qual você avalia migrar o crédito o valor do CET (Custo Efetivo Total) das operações. As instituições financeiras são obrigadas a fornecer esse valor.

O que mais devo ter em mente na hora de pesquisar a portabilidade? É importante saber que há custos nessa migração: o simples ato de migrar o financiamento pode custar entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. É que entre as despesas envolvidas estão custos de cartório (para mudar o imóvel do nome de um banco par ao outro) e a avaliação do valor da propriedade por um perito.

Neste último caso, a tendência é que essa despesa se torne cada vez menos frequente, já que o BC autorizou, no final de 2019, que essa vistoria seja realizada através de modelos estatísticos.

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