A relação de todas as transações e empréstimos que os clientes já fizeram na vida é um dos ativos mais preciosos dos grandes bancos. E é também o bem mais desejado pelas instituições financeiras que chegam agora ao mercado. Saber se você se endivida de forma recorrente, ou se apesar de não ter renda própria possui um rendimento familiar de três dígitos, por exemplo, dá ao banco o caminho das pedras: para quem emprestar (ou não) e o risco que está correndo.

É esse risco que determina a taxa de juros.

No curto e médio prazo, esse é o benefício esperado da segunda fase do open banking, que entra em vigor em 15 de julho: com autorização do cliente, esses dados serão compartilhados, o que permitirá a entrantes do setor, como fintechs e bancos digitais, a não ficarem mais “no escuro” com  seus novos clientes.

“Eu brinco que o relacionamento bancário é como um videogame. Você vai subindo de nível, passando de fases ao longo do tempo. O open banking transporta você dessa fase em que você estava na instituição anterior para a nova, e com isso o cliente tem acesso a produtos mais competitivos”, afirma Thiago Alvarez, diretor da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital) e representante da entidade no conselho do open banking criado pelo BC.

Nesse sentido, essa infraestrutura levará um conceito como o do cadastro positivo às ultimas consequências –desde o início do ano passado, os birôs de crédito passaram a contar com uma quantidade bem maior de informações sobre a vida financeira dos consumidores, levando em conta nos cálculos de score também os bons hábitos de pagamento.

“Imagina que eu quero tomar crédito, vou lá em um banco e ele me diz: me manda seus dados e faço uma condição específica para você. A segunda fase do open banking já permite isso”, explica Bruno Samora, head de produtos da Matera.

Dúvida é sobre como dados serão processados

Os especialistas ouvidos pelo 6 Minutos afirmam que, daqui para a frente, a dúvida é como cada instituição financeira irá processar esses dados, transformando uma grande quantidade de números em informações úteis.

Esse processo de aprendizagem de como trabalhar esse dados é o desafio pela frente. “Acho que demora um pouco para vermos algo muito diferente, algo inovador. Até pela necessidade de adaptação ao Pix [novo sistema de pagamentos do BC] pelos bancos, acho que ainda levaremos algum tempo para ver o open banking engrenando”, avalia Samora, da Matera.

Para dar um exemplo dos desafios, cada banco tem nomenclaturas diferentes para se referir a itens do extrato bancário. “Padronizamos tudo, mas não o conteúdo que passa dentro dos tubos”, aponta Alvarez, da ABCD.

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