O governo estuda permitir que trabalhadores possam usar recursos de suas contas no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia em operações do cartão de crédito, o que teria o potencial de reduzir os juros cobrados nessa modalidade, afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, nesta quarta-feira (11).

Os juros médios do rotativo do cartão de crédito estavam em 316,8% ao ano em janeiro, de longe a modalidade mais cara do sistema financeiro, especialmente após o governo ter imposto um teto aos juros do cheque especial. O rotativo é cobrado quando os clientes não pagam sua fatura na íntegra.

O que aconteceu? Em rápida fala a jornalistas após coletiva de imprensa, Sachsida não deu detalhes sobre a investida.

Ele disse que o Conselho Curador do FGTS deverá analisar neste mês a regulamentação do uso do saque aniversário do FGTS como garantia, abrindo um mercado novo de crédito.

Como a ideia é que a nova regulamentação permita aos bancos antecipar até três anos de saque aniversário, cerca de R$ 11,1 bilhões poderiam ser liberados pelas instituições financeiras, indicou Sachsida.

Você pode me dar um pouco mais de contexto? Quando anunciou a criação do saque aniversário, o governo já havia dito que seu plano era que os recursos das retiradas anuais pudessem ser utilizados como garantia para empréstimos pessoais, com potencial barateamento do custo de crédito. Mas a regulamentação para tanto ainda não foi feita.

Atualmente, 2,7 milhões de trabalhadores já aderiram ao saque aniversário do FGTS, sendo que o saldo de suas contas vinculadas é de R$ 20 bilhões. Pelas regras do saque aniversário, eles estão aptos à retirada de R$ 3,7 bilhões este ano.

O saque aniversário foi criado no ano passado para permitir ao trabalhador sacar anualmente uma fração do seu fundo de garantia, no mês de seu aniversário. Em contrapartida, quem adere à sistemática fica impedido de realizar o saque por rescisão do contrato de trabalho.

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