Cada vez mais brasileiros têm se interessado em investir no exterior, e os fundos de investimento talvez sejam a forma mais prática de fazer isso. Não por acaso, o patrimônio e a quantidade de investidores nessas aplicações vêm crescendo a ano.

Em setembro, último dado disponível, o patrimônio desses fundos somou R$ 828,5 bilhões, um salto de 34,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Anbima (Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

O retorno médio dessas aplicações nos primeiros nove meses do ano liderou a rentabilidade entre os fundos, com destaque para os multimercados (categoria que investe em renda fixa e variável) que investem em ativos de outros países, com 5,5% na média no acumulado até setembro. Em segundo lugar, aparecem os fundos de investimento no exterior em ações, com 5,4%.

É uma rentabilidade baixa se considerar a inflação do período, que já acumula 6,90% até setembro, mas muito melhor do que outras categorias de fundos tradicionais –os multimercado livres, por exemplo, renderam 2,6% em média, enquanto que os de renda fixa ficaram em 2% em sete meses e os de ações livres caíram 2,9%.

O desempenho melhor dos fundos de investimentos no exterior foi em parte estimulado pelo câmbio –entre janeiro e setembro, o dólar se valorizou 3,4%. Além disso, essas aplicações acabaram se beneficiando nessa comparação com fundos tradicionais por causa da alta da taxa básica brasileira e incertezas domésticas.

“O crescimento da taxa Selic fez com que a atratividade se reduzisse um pouco, ao mesmo tempo em que cresceu a aversão ao risco por causa da falta de previsibilidade e incerteza em relação às reformas e uma eventual crise energética”, apontou Pedro Rudge, diretor da Anbima. “Tudo isso trouxe um componente de risco maior, fazendo com que ativos mais ligados a ações sofressem neste último trimestre”.

 

Reprodução/ Anbima

 

Diversificação é a palavra chave

Mas, afinal de contas, dado o retorno melhor do que outras categorias neste ano, será que vale a pena apostar nesses fundos de investimento no exterior, que para serem considerados como tal devem aplicar pelo menos 40% do patrimônio líquido em ativos de outros países?

Lucas Taxweiler, analista de investimentos da plataforma Magnetis, diz que é fato que o cenário está favorável para essas aplicações. “Temos um IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] que está em 7%, um dólar muito alto, o Ibovespa está caindo e o S&P [principal índice dos EUA] subindo 25% no ano”, afirma.

Entretanto, ele lembra que o investidor sempre deve ter em mente aquela máxima que diz que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

“É importante lembrar que classes de ativos diferentes terão performances diferentes em cenários macro distintos”, aponta. “Se você pegar um período de seis meses, até mesmo 48 meses, pode haver ciclos macroeconômicos que favoreçam períodos específicos. Isso não quer dizer que isso vai se manter no futuro”.

O ideal, de acordo com o especialista, é montar uma carteira diversificada, com ativos domésticos e estrangeiros, que leve em conta um cenário de longo prazo, balanceando o peso de diferentes ativos em seu portfólio.

“O cenário é de preocupações com a redução de estímulos nos Estados Unidos, o que penalizará países como o Brasil. Ao mesmo tempo, estamos entrando em um período eleitoral que é muito sensível, com preocupações fiscais bastante grandes”, lembra. “O ideal é investir em ativos domésticos e internacionais, e ir balanceando conforme o cenário macroeconômico se desenrola”.

 

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