Os fundos multimercados estão liderando a corrida pelos investimentos. No ano, os multimercados captaram R$ 48 bilhões, à frente de todos os outros fundos (renda fixa, ações, previdência, cambial e ETF). Esse valor corresponde a 27% da captação de toda a indústria de fundos.

Mas o que são os fundos multimercados? São fundos que aplicam em diferentes produtos (daí vem a composição do nome: “multi” e “mercados”). A flexibilidade é o ponto forte dos multimercados, já que é possível ter diferentes investimentos dentro de um único pacote.

Outra vantagem é que os gestores desses fundos adotam estratégias para multiplicar a rentabilidade, e podem revisar ou mudar a composição de produtos, caso haja alguma mudança conjuntural.

“Esses fundos são, na verdade, um veículo pelo qual o serviço dos gestores é prestado para o investidor”, explica Samuel Oliveira, chefe da área de análise de fundos da XP Investimentos. “São aplicações flexíveis — você pode alocar em títulos públicos, títulos privados, moedas, ações, bolsas internacionais, commodities etc”.

E por que a captação está crescendo? Vale esclarecer que quando falamos em captação estamos tratando do saldo entre aplicações e resgates — ou seja, quanto os investidores colocaram nesses fundos.

Para Oliveira, da XP, a principal razão para esse crescimento é a redução nas taxas de juros, que estão levando muitos investidores a deixarem a renda fixa, em busca de rendimentos maiores.

“Os multimercados são o meio de caminho entre a renda fixa e os títulos mais arriscados, como os fundos de ações. A vantagem é que eles conseguem atingir produtos que o investidor comum não teria acesso, e com volatilidade moderada”, afirma ele.

Quais são os tipos de fundo multimercados? Os fundos são categorizados por estratégia ou por produto. São 11 os tipos de fundos: balanceados, dinâmicos, capital protegido, long and short neutro, long and short direcional, macro, trading, livre, juros e moedas, estratégia específica e investimento no exterior.

No grupo dos de estratégia, há os trading e long and short — basicamente, esses fundos surfam em variações de curto prazo de produtos de renda variável, como ações. Já no grupo de produtos há os fundos de investimento no exterior e o de moedas, por exemplo.

Segundo dados da Anbima, mais de R$ 1,1 trilhão estão aplicados em fundos — em volume, eles só perdem para os fundos de renda fixa. A maior parte (R$ 409 bilhões) está alocada nos que investem em ativos do exterior.

São tantos! Como escolher o ideal para mim? Não precisa se descabelar com as opções diversas: não existe fundo certo para o investidor certo. É fato que é preciso fazer uma análise de risco e comparar com o seu perfil — se você é conservador, melhor fugir dos fundos que são baseados em produtos com alta volatilidade.

A melhor dica para escolher um multimercado é estudar o gestor do fundo. Oliveira, da XP, diz que você deve escolher o gestor do fundo da mesma forma que escolhe um médico: “olhe a sua formação, a experiência, a estrutura da empresa e quem é a equipe”, recomenda.

Outro ponto importante é olhar a estratégia — mesmo que o fundo tenha uma regra fixa de onde o patrimônio deve ser investido. “Colocar o dinheiro lá só porque o fundo está rendendo bem não é suficiente. Da mesma maneira que ele está ganhando bem agora, ele pode estar rendendo mal no futuro, e o investidor sequer entenderá o porquê”, diz o chefe da área de análise de fundos da XP.

E não adianta olhar esse desempenho em curto prazo. O ideal é que o investidor analise a rentabilidade do fundo em um período superior a 24 meses. “Se ele analisar só uma janela de 3 ou 6 meses a chance de ele se decepcionar no futuro é muito grande”, afirma Oliveira.

Fique atento à transparência do gestor do fundo. Veja se ele divulga carta periódicas, falando da estratégia, e se ele tem algum contato mais direto com o investidor. Muitos gestores mantêm canais no YouTube e até podcasts para manter os seus clientes atualizados.

Por fim, observe quanto o gestor cobra de taxas, e compare com o custo de fundos com um perfil similar.

Qual a porcentagem ideal da carteira para aplicar nos multimercados? Depende do perfil do investidor. Mas a regra simples é: quanto mais conservador você é, menor será a fatia dos fundos multimercados na sua carteira. Quanto mais arrojado, maior será a importância deles.

Já invisto em um fundo multimercado. O que devo fazer? A principal dica é observar as decisões do gestor do fundo, e acompanhar de perto como seu dinheiro está sendo aplicado. “Acontece muitas vezes de o gestor sair do fundo e ir para outra empresa. Aí o investidor precisa fazer a mesma avaliação do perfil do novo gestor”, conta Oliveira, da XP.

Ele diz que as corretoras fazem parte desse trabalho de checagem periódica, para ajudar o investidor no processo de escolha do fundo.

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