Ao fazer um único investimento, você consegue aplicar em dezenas de aplicações diferentes, diversificando e reduzindo riscos ao mesmo tempo. Parece interessante? Pois esse é o conceito do FoF (Fund of Funds, na sigla em inglês), ou fundo de fundos, que em tempos de juros baixos vem chamando cada vez mais a atenção dos investidores.

Da mesma forma que um fundo de investimentos tradicional, um FoF é composto por pessoas que se reúnem com o objetivo de aplicar recursos em uma determinada classe de ativos. A diferença é que, nesse caso, esse investimento é feito em outros fundos, que são selecionados pelo gestor de forma a balancear retorno e amortecer perdas.

Eles podem ser de diferentes categorias: os que investem em fundos imobiliários, multimercados ou de ações. A regra é que, para serem considerados fundo de fundos, devem aplicar no mínimo 95% do patrimônio em fundos, e o restante em títulos de renda fixa.

Para quem os FoFs são indicados? Esses fundos são indicados para investidores que querem diversificar suas aplicações, mas não possuem tempo ou interesse em administrar muitas aplicações ao mesmo tempo. Além disso, tendem a ser mais estáveis, já que o conjunto de diferentes fundos, se bem selecionados, pode amortizar a volatilidade.

“É uma opção interessante para o investidor que está começando, que não tem tanto interesse ou mesmo tempo de buscar informações e acompanhar o mercado”, avalia Gabriela Mosmann, analista de investimentos da Suno Research.

Qual a vantagem dos FoFs? Especialistas apontam a diversificação como a principal vantagem dos fundos de fundos. Como os aportes são feitos em diversas aplicações, a alocação passa por diferentes gestores, e as perdas de um ativo podem ser compensadas pelos ganhos de outro.

“Um FoF tem muitas utilidades. Uma delas é você poder comprar um apanhado de fundos de uma vez só, é mais rápido e mais fácil”, explica Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo. “Vamos supor que você queira investir em commodities, mas não quer focar só em agro, ou só em petróleo, ou só em urano. Quer uma aplicação que reúna tudo isso. O FoF te entrega essa possiblidade de forma simples”.

Outro ponto sempre citado, que é consequência da diversificação, é a redução da volatilidade.

“Esse é o efeito da diversificação”, afirma Knudsen. “Consigo manter a rentabilidade e reduzir o risco, a volatilidade do fundo. Vamos supor que tenho dois fundos bons na carteira, o Verde e o SPX. Rendem muito bem no longo prazo, mas às vezes tem mês que um deles cai. Nessa situação, no mês de queda, talvez o outro esteja subindo, o que reduz a volatilidade no curto prazo”.

Quais são as desvantagens? E como escolher um bom FoF? Como os FoFs são compostos por muitos fundos, a tendência é que o custo da taxa de administração ou taxa de performance de diversas aplicações diferentes seja repassado para o cotista.

“O FoF tem uma desvantagem, que é a possibilidade de ter uma dupla taxação de administração ou performance”, aponta a analista da Suno. “É claro que essas taxas são negociadas pelo gestor do FoF com os fundos, e são reduzidas, mas mesmo assim pode haver sim uma taxa maior. Para ser interessante, tem que ter uma taxa de administração acessível”.

Para Knudsen, da Vitreo, o ideal é que o investidor pesquise a estrutura de cobrança do FoF, e avalie também o retorno que oferece. “É importante olhar a taxa de administração e também o retorno final do fundo. É melhor receber 4% de retorno de um fundo com 3% de taxa do que 3% de um fundo com taxa de 2%”, exemplifica.

De resto, da mesma forma como acontece com fundos de investimento em geral, é importante avaliar a gestora e o desempenho passado da aplicação. “Não é olhar apenas os últimos 12 meses, o interessante é olhar períodos de tempo maiores, de até cinco anos”, alerta Mosmann. “Já que o FoF já vai simplicar seus objetivos, é interessante separar um tempo para se debruçar sobre a gestora e também o desempenho e taxas cobradas pelo fundo”.

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