O uso do Pix para pagamentos no varejo, em especial nas lojas físicas, ainda está longe de alcançar o potencial esperado, apesar do forte crescimento do novo sistema nos últimos meses. Dados do Banco Central mostram que as transferências instantâneas de consumidores para empresas por meio do Pix representam apenas 12% do total de transações.

Uma consulta pública aberta pelo BC nesta segunda-feira (dia 10) pode ajudar a aumentar esse peso. A autoridade monetária quer lançar, provavelmente em agosto, duas novas modalidades de transferências, o Pix Saque e o Pix Troco, que permitirão às pessoas físicas usar o novo sistema para sacar recursos em espécie no comércio.

Esse é um novo estímulo para os donos de loja se adaptarem à nova forma de pagamento. Além da atração de mais clientes ao ofertar o novo serviço, o lojista poderá escoar com mais facilidade o dinheiro do caixa, economizando mais com transporte e gastos com segurança.

De acordo com Angelo Duarte, chefe do departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do BC, já era esperado que o uso do Pix no varejo demorasse um pouco mais para engrenar do que as transferências entre pessoas.

“No caso de transferências entre pessoas físicas já estava tudo pronto quando o sistema entrou em operação. No caso do varejo, o uso depende de implementação de sistema e treinamento dos atendentes, entre outros pontos”, explicou.

Na avaliação dele, as novas modalidades ajudarão a aumentar a atratividade do Pix para os lojistas. “O Pix Saque é mais um ingrediente. Com ele, o uso do sistema no varejo tende a ficar mais conhecido, mais difundido”, declarou.

Como está o uso do Pix pelos consumidores no varejo? Nos últimos meses, essa demora maior da penetração do novo sistema vem se revertendo. Em março, o total de transações de pessoas físicas para empresas já bateu os 35 milhões de operações, uma alta de 340% na comparação com dezembro do ano passado.

Apesar da forte alta, a avaliação de especialistas é que a nova forma de pagamento tem potencial para um crescimento ainda maior. Para Carlos Netto, CEO da Matera, que desenvolve tecnologia para o mercado financeiro, fintechs e gestão de risco, a adesão já vem acontecendo com maior intensidade no e-commerce. “No e-commerce, o carro já está andando. No varejo físico, vai engatar a segunda marcha agora”, afirma ele.

Segundo ele, o Pix é muito mais vantajoso para o e-commerce do que para a loja física, onde compete com o cartão de débito. “Para o e-commerce, é só vantagem: é mais barato, não tem a fraude que tem no cartão, amplia a base de compradores, já que pessoas sem conta em banco conseguem pagar com Pix.”

Como vão funcionar o Pix Saque e o Pix Troco? De acordo com o BC, ambos possibilitarão a retirada de recursos em espécie. A diferença entre os dois é que o Pix Saque é uma transação exclusivamente para saque, enquanto o Pix Troco está associado a uma compra ou prestação de serviço — o cliente compra comida, por exemplo, transfere um valor maior e recebe a diferença em dinheiro vivo.

Pela proposta, os usuários terão quatro saques gratuitos por mês, seja utilizando Pix Saque ou Pix Troco. A partir da quinta transação, as instituições financeiras ou de pagamentos detentoras da conta do sacador poderão cobrar uma tarifa pela transação. Os sacadores não poderão ser cobrados diretamente pelos agentes de saque”, afirmou o BC em nota.

Haverá um limite do valor máximo que o usuário poderá sacar por dia, de R$ 500.

A experiência do usuário será idêntica a de um pagamento via Pix: fará a leitura de um QR Code, autenticará o pagamento e comandará a transferência. “A diferença é que receberá o valor correspondente em espécie””, explicou Carlos Eduardo Brandt, chefe adjunto do departamento de competição do Banco Central.

Qual o objetivo do BC com as duas novas modalidades? A ideia é que essas inovações tragam mais conveniência aos consumidores e aumentem a competição na hora de se precificar os serviços de saques, melhorando as condições para os bancos digitais e demais instituições que não possuem rede própria de caixas eletrônicos.

“Há muitos municípios onde não há pontos de saque, o que traz insatisfação à população. Além disso, a maior parte desses pontos de saque servem de forma assimétrica às grandes instituições financeiras”, afirmou Duarte.

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