Imagine a seguinte situação. Você possui um imóvel e, de repente, recebe a notícia de que a sua família vai aumentar. Com poucos meses para achar um lugar maior para se mudar, surge a questão: como conseguir dinheiro para pagar a entrada desse novo imóvel antes de vender o atual? — que você precisa, afinal de contas, para viver.

A primeira opção é um crédito tradicional com o imóvel como garantia. A solução funciona, mas pode esbarrar em outros problemas, como obter crédito para a entrada e para o financiamento em si e a dificuldade em pagar depois todas as parcelas ao mesmo tempo.

É pensando nessa equação que a fintech CrediHome lançou um novo produto chamado de “Compra Garantida”. O conceito é oferecer crédito para quem não quer usar o imóvel apenas como uma garantia de segurança, mas sim com a certeza de que pretende efetuar de fato a venda.

Bruno Gama

Bruno Gama, CEO da fintech CrediHome

Como funciona? 6 Minutos conversou com o CEO da fintech, Bruno Gama, para entender a proposta.

Segundo Gama, um cliente que possui um imóvel de R$ 500 mil, poderá captar até 40% do valor, o equivalente a R$ 200 mil. Esse valor é emprestado a uma taxa que varia de 1,1% a 1,3% ao mês, com um benefício: durante 36 meses, o cliente paga apenas 20% da parcela estipulada.

A contrapartida para a CrediHome é que o cliente assuma o compromisso de vender o imóvel ao longo desse período – o que dá à empresa a expectativa de receber o valor de volta, com os devidos juros, em um prazo muito mais curto do que o tradicional.

“A nossa ideia é dar tempo para que a pessoa venda o imóvel com calma. Em uma situação como essa, em que ela tem pressa, esse imóvel chega a ser vendido a um deságio de 25%, 30% do valor imóvel”, avalia o CEO da fintech.

E se não vender? O cliente pode não conseguir ou até desistir de vender. No entanto, caso haja dúvidas sobre a venda — ou até um receio grande sobre a chance de concretizar o negócio, o produto da CrediHome pode não ser a melhor opção. Pelo contrato, o combinado é que ao final dos 36 meses, caso isso ocorra, a situação de crédito de quem tomou o empréstimo será reavaliada, o que pode resultar em taxas mais altas.

“Se a situação financeira do cliente se deteriorar muito, o score cair, é possível que ele simplesmente não tenha crédito aprovado e tenhamos de proceder com a cobrança do valor”, explica Bruno Gama, que, no entanto, argumenta que isso é difícil de ocorrer por uma variável do negócio.

“Nossa avaliação leva mais em conta o imóvel até do que o mutuário. A chance de venda, portanto, já está embutida na taxa que nós cobramos. Além do que, imóveis em capitais têm liquidez acima da média”, diz.

Ou seja, nesse negócio importa mais o que está sendo vendido (e, portanto, a chance do dinheiro voltar) do que quem está vendendo. Na elaboração da nota de crédito, entram fatores como a região do imóvel e o valor dele em comparação com a média das negociações em determinado momento.

Em geral, a estimativa da CrediHome é que o prazo-médio de venda — e, portanto, da quitação do empréstimo –, seja de cerca de 1 ano e dois meses. Por isso, a expectativa do retorno financeiro em cerca de metade do prazo fechado.

O que é a CrediHome? O “Compra Garantida” é uma expansão das atuações da fintech. Essencialmente, o trabalho da CrediHome consistia até agora em ser um marketplace do mercado de crédito imobiliário.

A empresa faz as consultas em birôs de crédito e envia propostas aos grandes bancos, retornando ao usuário as ofertas de negócio. Ao lançar o novo produto, a fintech articula para estar nas duas pontas do negócio: ao passo em que viabiliza o dinheiro necessário para a entrada, também faz o seu trabalho tradicional buscando ser a intermediadora do crédito para o imóvel em si.

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