Imagine a seguinte situação: você entrou em um grupo de consórcio de carro com prazo de cinco anos, mas perdeu o emprego após o pagamento de 12 mensalidades. Para de adequar à nova realidade, precisa sair do consórcio. O que acontece com o dinheiro que já pagou?

Foi de olho nessa situação que a fintech Consorciei começou a atuar no mercado secundário de consórcios: ela compra cotas de pessoas que pararam ou suspenderam seus pagamentos.

“Como acontece hoje? Se a pessoa desiste do consórcio, ela pode parar de pagar. Mas só receberá o valor que contribuiu se for sorteada ou no final do grupo. Como as chances de ser sorteada são baixas, esperar pelo fim do grupo pode demorar anos”, diz Alexandre Gomes, sócio-diretor da Consorciei.

Como a Consorcei atua então? A fintech compra cotas de consórcio de pessoas que desistiram de continuar pagando as mensalidades. A negociação é feita somente com cotas de consórcios de empresas parceiras, como Itaú, Porto Seguro, Santander, Randon. “Essas empresas representam 25% do mercado de consórcios”, afirma o executivo.

O que o consorciado desistente ganha? Gomes diz que o cliente consegue antecipar o crédito e pagar uma taxa menor que a cobrada pelas linhas de crédito pessoal. “Hoje, o consorciado paga todo mês uma parte do fundo comum, que é o valor que vai acumulando e se transformará em sua carta de crédito, e a taxa da administradora, que pode chegar a 15%. Se ele parar de pagar, terá que esperar o final do grupo ou ser sorteado para receber. Em vez de receber em cinco anos, se ele vender a cota para a Consorcei, vai receber em até seis dias úteis, tudo on-line, sem burocracia”, afirma.

Mas quanto custa essa antecipação? Gomes diz que a taxa cobrada varia de acordo com a característica da cota, da evolução do grupo de consórcio e de quanto tempo falta para ele ser finalizado. Na média, segundo ele, a taxa varia de 0,2% a 1,8% ao mês. “O dinheiro tem um custo no tempo. Para receber hoje, em vez de daqui a cinco anos, haverá esse custo.”

Por que as pessoas desistem de seus consórcios? O diretor da Consorciei diz que existem dois motivos, principalmente. “O primeiro é que os contratos de consórcio são muito longos e a vida das pessoas muda, seja por questão de saúde ou de emprego. O segundo é que muitas vezes o consórcio não é o produto ideal para elas. Às vezes, o produto foi mal vendido e a pessoa acha que vai ser contemplada logo.”

Como ficou o mercado de recompra de cotas no ano passado? Gomes diz que a Consorciei cresceu 10 vezes em 2020 na comparação com 2019, atendendo 5.000 pessoas e liberando R$ 100 milhões. “Logo que a pandemia começou, em março de 2020, houve um aumento de 30% a 40% na busca por venda de cotas.”

O que a empresa faz com a cota comprada? A Consorciei tem duas opções: espera o fim do grupo para receber de volta o valor pago pelo consorciado ou reativa a cota. “Posso esperar os cinco anos ou reativar a cota, voltar a pagar as parcelas e dar lances altos para ser contemplado. Pela regra do Banco Centra, após seis meses da contemplação, posso reaver o crédito em dinheiro. Dessa forma, transformo isso em ativo financeiro. Isso é bom para o grupo de consórcio, que não seria pago”, afirma Gomes.

A Consorciei só compra cota? Não. A fintech passou a vender cotas também neste mês. “Como já atendemos muita gente que quer vender suas cotas, conseguimos vender melhor o produto consórcio. Melhor e com a vantagem de ter um processo todo online, desde o início. O consórcio é um produto em que a gente acredita e gosta, que serve para o planejamento da compra, quase tem um papel de finanças comportamentais.”

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