Em tempos de juros magros, o investidor percebeu que precisa diversificar o tempero da carteira. E que terá que acrescentar algumas pitadas de risco se realmente quiser ver o bolo crescer. Um dos caminhos possíveis para conseguir essa exposição moderada ao risco, em busca de melhores rendimentos, são os ETFs (Exchange Traded Funds).

Esses tipos de fundos escolhem um índice de referência, que pode ser um índice de renda variável ou de renda fixa. O objetivo do gestor é entregar para os investidores do fundo um retorno idêntico à variação do índice seguido.

E ele consegue isso comprando as mesmas ações ou títulos que fazem parte da carteira do índice, na mesma proporção. Assim, o fundo vira uma espécie de espelho desse índice. Para entrar, o investidor compra cotas desse ETF na Bolsa, da mesma forma que poderia adquirir ações de uma empresa.

Entre os ETFs mais conhecidos no Brasil estão aqueles que replicam as variações do Ibovespa, do IFIX (índice de fundos imobiliários) e do SMLL (que reflete o desempenho médio de uma carteira de ações de empresas menores, as small caps).

Há ainda ETFs correlacionados com o Exterior, como os que seguem o índice S&P 500 norte-americano. Uma novidade nessa seara é o EURP11, que a XP lançou em janeiro deste ano. Ele tem como referência o MSCI Europe, que inclui ações de 15 grandes e médias empresas europeias.

Os ETFs proporcionam vantagens interessantes ao investidor, como a possibilidade de diversificação de forma simples. Por outro lado, eles também têm seus inconvenientes. Não são adequados para quem não tolera oscilação alguma, já que também podem ter variação negativa, e oferecem um horizonte de ganhos mais limitado que o de modalidades de investimento de maior risco.

Saiba se eles são ou não para você.

Vantagens

Entrega diversificação com praticidade. Ao comprar um ETF, o investidor expõe seu portfólio ao desempenho de várias empresas de uma vez – já que o retorno obtido, que corresponde à variação do índice de referência, reflete a média dos resultados dessas companhias.

É claro que ele também poderia conseguir isso investindo diretamente em cada uma dessas empresas, mas isso exigiria que ele as acompanhasse de perto. “Seria ingenuidade esperar que o investidor normal analisasse balanços e passasse o dia todo olhando o home broker“, diz Murilo Breder, analista de renda variável da corretora Easynvest.

É menos dependente da expertise do gestor. Em um fundo de ações com gestão ativa, para atingir o benchmark proposto, o gestor tem a liberdade de escolha para comprar e vender os ativos que quiser, quando achar apropriado. Mas obter a rentabilidade esperada pelo fundo dependerá do acerto das previsões desse gestor – se ele apostar errado, a carteira não terá o resultado desejado.

Já no ETF, que tem gestão passiva, tudo o que o gestor precisa fazer é montar uma carteira de ativos que espelhe a composição do índice de referência. Se tiver construído um espelho fiel, o retorno será muito próximo à variação do índice, e o objetivo terá sido alcançado.

É menos volátil e mais regular. Para quem não quer ter grandes sobressaltos, o ETF entrega resultados mais previsíveis. Em um fundo de gestão ativa, por melhor que seja o trabalho da equipe de gestores, haverá anos em que o retorno do fundo vai superar o índice de referência e outros em que ficará abaixo dele.

Já um bom ETF entregará sempre a variação do índice (ou algo muito próximo a isso). O que não significa que a rentabilidade será linear: o índice pode flutuar para cima e para baixo, e o ETF seguirá o mesmo movimento.

O acesso é simples e o custo, baixo. O investidor pode comprar e vender ETFs sozinho, usando o home broker da corretora. Uma cota de BOVA11, o maior entre os ETFs que replicam o Ibovespa, custa R$ 115; pela do IVVB11, que segue o S&P 500, pagam-se R$ 226.

“O tíquete inicial é baixo, justamente para garantir o acesso à pessoa física”, diz Breder. “Na hora de comprar, fique de olho na taxa de administração: se for alta, pode corroer os ganhos.”

Pode permitir exposição ao câmbio. No caso dos ETFs internacionais, que espelham indicadores estrangeiros, além da variação do índice os ganhos do investidor também refletirão a flutuação da moeda em questão, seja o dólar ou o euro.

“À primeira vista, isso pode ser bom ou ruim, já que a variação do câmbio pode ser positiva ou negativa”, observa o analista da Easynvest. “Mas os cenários em que o dólar está fraco costumam ser cenários em que as Bolsas andam mais forte. Então, o investidor acaba ganhando em uma ponta ou na outra.”

Desvantagens

Os ganhos são limitados. Não tem jeito: risco e retorno andam de mãos dadas. No caminho suave dos ETFs, o investidor tem um sono bem mais tranquilo do que teria com ações na carteira. Por outro lado, ele nunca vai surfar na superonda de uma empresa cujas ações dispararam por qualquer motivo.

O investidor não recebe dividendos. Ainda que as empresas que compõem o índice de referência sejam boas pagadoras, os dividendos vão apenas para os acionistas, ou seja, para quem comprou as ações delas. E não para quem optou pela via indireta dos ETFs.

Por falar em dividendos, um dos ETFs mais conhecidos é o DIVO11, que tem na carteira empresas que se destacam nesse aspecto. Mas muitas dessas boas pagadoras também estão contempladas ou no Ibovespa, ou no SMAL, o índice das small caps. “Por isso, não indico o DIVO11. Para quem já tiver ETFs como o BOVA11 ou SMALL11, ele é redundante: o investidor acabará se alocando em várias empresas em duplicidade”, diz Breder.

Sempre há incidência de Imposto de Renda. Assim como nos fundos de ações, quem investe em ETFs e resolve vender suas cotas tem que pagar 15% de IR sobre o ganho de capital (a diferença entre o preço de compra e o preço de venda). E ainda tem que emitir a guia DARF para fazer o recolhimento por conta própria. Já quem investe em ações pode vender até R$ 20 mil por mês sem pagar o imposto.

É justamente por causa dessa questão tributária que o analista da Easynvest acha que os ETFs são mais recomendáveis para os investidores de perfil conservador e menos interessantes para os mais experientes.

“Os perfis moderado e agressivo esperam retornos maiores. Para receber apenas o retorno do índice e ainda ter que pagar 15% de IR, eles vão direto para as ações, que podem entregar esse ganho sem dificuldade e sem incidência de imposto”, afirma Breder.

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