Muito se falou sobre o primeiro ETF de futuros de bitcoin da bolsa norte-americana. Com o segundo melhor desempenho de estreia da história dos fundos de índice nos EUA, o ProShares Bitcoin Strategy movimentou quase US$ 1 bilhão no primeiro dia e abriu portas para a expansão do mercado de criptomoedas.

Mas do que se trata essa classe de ativos, afinal? Será que existe alguma vantagem em relação às outras formas de exposição às criptomoedas? Para responder essas e outras perguntas, o 6 Minutos foi em busca de especialistas.

O que é um ETF? Os Exchange Traded Funds, ou fundos de índice negociados na bolsa, são operados da mesma fora que as ações, por meio de qualquer corretora. Eles sempre usam um índice como referência. Em um ETF ligado ao Ibovespa, por exemplo, o gestor utiliza os recursos dos investidores para comprar as mesmas ações que estão na carteira do índice, seguindo a mesma proporção.

Como funciona um ETF de criptomoeda? Existem os ETFs que investem diretamente em criptomoedas. Nesse caso, o fundo utiliza os recursos dos investidores para negociar os ativos à vista. Portanto, ele acompanha quase que exatamente a oscilação de preço das criptomoedas às quais está exposto.

O ETF ProShares Bitcoin Strategy (BITO), que começou a ser negociado na bolsa de Nova York na terça-feira passada (19), é um ETF de futuros de Bitcoin. Isso quer dizer que ele investe em contratos de futuros. “Ele não negocia o preço de hoje, mas um derivativo, que é o preço do bitcoin em algum momento no futuro. Pode ser três ou seis meses à frente, dependendo do ETF”, explica Rudá Pellini, co-fundador da Wise&Trust.

Quais são as vantagens de investir em criptomoedas por meio de ETFs? Em relação à compra direita de criptomoedas pelas plataformas de negociação (exchanges), a principal vantagem dos ETFs é a facilidade. Nesse caso, não é preciso se preocupar com a segurança das senhas que dão acesso aos ativos ou aprender a lidar uma plataforma específica de negociação. É possível investir por meio de qualquer corretora.

Quando a gente compara com outros fundos de cripto, o ETF também apresenta algumas vantagens. “O ETF tem a taxa de administração mais baixa no geral e você pode operar ao longo do dia. Nos fundos, só pode resgatar ou aplicar no horário de cotização”, lembra João Marco Braga, gestor de portfólio da Hashdex.

Outro ponto positivo do ETF é poder resgatar o dinheiro mais rapidamente. Na bolsa brasileira, por exemplo, o prazo para o dinheiro estar disponível em conta é de dois dias (D+2).

E as desvantagens? Para Marcel Pechman, analista de criptomoedas e dono do canal de Youtube RadarBTC, quem escolhe investir em criptomoedas por meio do ETF perde principalmente a liberdade de gestão dos ativos. “O maior benefício de comprar Bitcoin é conseguir auditar o saldo e fazer movimentações quando e como quiser, sem depender de terceiros. Isso tudo é perdido quando outra entidade é ‘responsável’ por guardar seus Bitcoins”, afirma.

Outra desvantagem apontada por ele é a perda da isenção de impostos para vendas mensais até R$ 35 mil em criptomoedas. O ETF segue as mesmas regras tributárias das ações de empresa. Vale lembrar também que, no caso do ETF, existem ainda as taxas de administração.

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