No ano passado, o IFIX, que mede a rentabilidade dos principais fundos de investimento imobiliários negociados no Brasil, teve uma valorização de 35,8%, ficando acima do ganho do Ibovespa. Mas, em janeiro de 2020, muitos deles tiveram rentabilidade negativa. E o comportamento pode se repetir em fevereiro.

Em números: No primeiro mês do ano, o IFIX registrou uma queda de 3,76%. No acumulado da primeira quinzena de fevereiro, o recuo foi de 0,92%, mostram dados da Investing.

Segundo levantamento do jornal O Estado. de S Paulo, entre 1º de janeiro e 14 de fevereiro, os fundos listados no IFIX perderam R$ 3,28 bilhões em valor de mercado, a maior desvalorização da história do investimento dentro de um intervalo de 45 dias.

Mas isso não é exatamente um problema.

Daniel Chinzarian, analista da Guide, corretora de investimentos, explica que a queda na rentabilidade foi fruto de um ajuste de preços. As cotas estavam bastante valorizadas, os investidores perceberam e decidiram vender porque viram uma oportunidade de ganho (realização de lucro). Com mais gente vendendo, a oferta sobe e o preço cai. A queda na rentabilidade deriva da desvalorização da cota.

Foi esse o movimento de janeiro: uma realização de lucros depois de um segundo semestre com rentabilidade turbinada – só em dezembro de 2019, a valorização superou 10%.

Me dá um exemplo de realização de lucro? Um cotista compra cotas no valor de R$ 100 e, alguns meses depois, percebe que elas passaram a valer R$ 140. Ele decide vendê-las para embolsar R$ 40, apostando que os preços não vão subir muito mais que isso.

“A valorização será uma constante em 2020, mas não como foi em 2019. A indústria está mais consolidada e o mercado entendeu que entramos em um ciclo, não em uma bolha”, explica Chinzarian.

O efeito Selic: A taxa básica de juros caiu cinco vezes seguidas, das quais quatro só em 2019. Quanto menor os juros, maior o investimento em fundos imobiliários, que entregam uma rentabilidade maior. A partir de agora, com juros básicos parando de cair, como indica o próprio Banco Central, o ritmo de valorização desses produtos tende a diminuir.

Mas não são só os juros que dão gás aos fundos: “A possibilidade de melhora na economia animou o investidor em relação às empresas de varejo que estão investindo no comércio eletrônico. E houve fundos fechando contratos de aluguéis relevantes e de longo prazo com grandes empresas do ramo”, disse Victor Penna, analista do Banco do Brasil, ao jornal O Estado de S. Paulo. O 6 Minutos explica o contexto nesta reportagem aqui.

Qual o efeito do coronavírus e da guerra comercial nos ativos? É pequeno, mas existe. Na avaliação de Sandra Blanco, consultora de investimentos da corretora Órama, janeiro foi tumultuado e investidores decidiram se afastar do risco, saindo de produtos com variação de preço diária e vendendo as cotas.

Já Chinzarian avalia que o efeito desses riscos é menor: “O histórico dos fundos é mais atrelado ao mercado em si. Há um imóvel construído, o ativo existe concretamente. O fundo imobiliário não é tão impactado como são as ações.”

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).