Juros básicos em 4,25% ao ano, mais empresas negociando ações na bolsa, economia se aquecendo e muita gente falando “é hora de sair da poupança e tomar risco nos investimentos”. Mas decidir que risco tomar é difícil. Além dos fundos de investimentos e das aplicações diretas nas empresas, por meio das ações, uma alternativa a ser estudada são os ETFs (sigla em inglês para Exchange-Traded Fund). Segundo analistas, os ETFs são uma boa opção para quem quer aplicar em ações de empresas.

O investimento mínimo depende do valor da cota de cada fundo. Uma simulação feita pelo 6 Minutos mostrou um valor mínimo na faixa de R$ 1.000.

A reportagem conversou com Luis Sales, da Guide Investimentos, e preparou um guia sobre os ETFs. Veja abaixo.

O que é um ETF?

É uma espécie de fundo de investimento, mas sem que haja um gestor escolhendo que ações comprar. Isso porque os ETF são ligados a um índice, como o Ibovespa, o principal da B3, a bolsa de valores de São Paulo. O nome oficial para ETF é “fundo de índice”.

Na prática, o ETF é um fundo de investimento que aplica o dinheiro nas mesmas ações listadas no índice de referência. Diferentemente dos fundos de ações convencionais, não há uma estratégia específica de cada gestor, que tenta superar o Ibovespa. O ETF rende igual à variação do índice. E ponto.

Use como exemplo o ETF BOVA 11, ligado ao índice Ibovespa. Ele é composto por empresas específicas em que cada uma tem um peso de acordo com sua importância no mercado de capitais e na economia do país. Por exemplo, a Petrobras tem peso de 10,82%, a Vale, de 8,19%, a Ambev, de 3,96%, e o Magazine Luiza, 1,56%.

É justamente nessas empresas, e seguindo seus respectivos pesos, que o BOVA11 faz suas alocações.

Como funciona a alocação? 

A cada R$ 100 colocados nesse ETF, R$ 8,19 são investidos nas ações da Vale, R$ 10,82 nas da Petrobras e R$ 3,96 nas da Ambev. Em outros índices, com outras empresas, a alocação segue o peso de cada uma pré-estabelecido no índice.

A composição é definitiva? 

Não. O Ibovespa, por exemplo, muda a cada quatro meses: tanto a composição das empresas quanto o peso de cada uma. A alocação acompanha a mudança.

Quais são os outros índices na bolsa brasileira?

São 33 índices no total, divididos em cinco categorias. Os amplos, como o Ibovespa, do próprio mercado, são 4. Outros são relacionados a governança das empresas (4) ou ligados a sustentabilidade (2) ou associados a segmentos e setores da economia, como energia elétrica, que são 16. Também há os de parceria com mercados internacionais, como a bolsa de Nova York (S&P 500) _sim, dá para investir em ações listadas na bolsa norte-americana via ETF.

Como comprar um ETF?

Na página de ações e home broker das corretoras de investimento. Os ETFs são negociados diretamente na bolsa de valores. É preciso decidir em qual ETF investir, buscá-lo no sistema da corretora e comprar. Dá para ver todas as opções neste link no site da B3 (Brasil, Bolsa Balcão).

Quais as taxas?

Existe uma taxa de administração, em média de 0,5% ao ano. Não há taxa de performance porque não há uma estratégia própria de um fundo. Seja alta ou baixa, boa ou ruim, a rentabilidade será a mesma do índice de referência. Há taxa de corretagem, que varia em cada corretora.

Qual o risco de aplicar em um ETF?

O dinheiro segue um índice, que tem empresas diversificadas, com estratégias, públicos e áreas de atuação diferentes. Ainda que as empresas de exportação tenham um fraco desempenho, por exemplo, as de consumo podem ir bem, de modo que o índice fica balanceado e a perda pode até acontecer no fim do dia, mas o índice tende a se recuperar no médio prazo. Em caso de investimento em ETF associado a índice de consumo, é improvável que todas as empresas do setor tenham desempenho igual ao mesmo tempo.

Mas Sales lembra que a rentabilidade pode oscilar e que o ideal é encarar o ETF como um investimento de médio prazo, para que seja possível resgatar o dinheiro depois de seis meses da data de aplicação.

Os ETFs no Brasil

Populares entre investidores institucionais (como fundos e empresas), os ETFs ainda não caíram no gosto dos pequenos investidores brasileiros. Para Sales, da Guide, parte disso se deve à ainda pouca familiaridade dos brasileiros com a bolsa de valores, apesar do crescimento acelerado dos últimos três anos. “As pessoas querem algo ‘sexy’, como uma estratégia diferenciada dos fundos de investimento ou escolher exatamente em que ações investir.”

O analista faz uma comparação com o mercado norte-americano: “Nos EUA, os ETFs são mais comuns porque as pessoas estão familiarizadas com o mercado de capitais, e os investidores não querem pagar por uma gestão ativa, na qual o gestor vai tentar superar o índice”, diz Sales.

Como decidir se é hora de investir em um ETF?

É fundamental acompanhar o contexto da economia. No Brasil, o cenário atual é propício: o mercado acionário como um todo está se valorizando, os juros básicos, que são referência para a renda fixa, estão em níveis historicamente baixos, e a economia, se recuperando. “Precisa olhar o contexto macroeconômico nacional e internacional”, sugere Sales. O próximo passo é escolher em qual índice investir e daí checar quais os ETFs associados a a ele. De acordo com a B3, que opera a bolsa brasileira, há 17 ETFs disponíveis para investimento.

E se eu quiser vender minha participação em um ETF?

Será necessário entrar no home broker da corretora e vendê-lo como se fosse uma ação.

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