Apesar de a inadimplência se manter estável em torno de 61,1 milhões de pessoas, o percentual de endividados do país vem subindo mês a mês. Em março, 67,3% das famílias estavam endividadas, segundo dados da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Quando se olha para a faixa de renda, a pesquisa mostra que o endividamento vem subindo mais entre as famílias que ganham acima de 10 salários mínimos, passando de 62,1% em fevereiro para 63,2% em março, o mais alto da série histórica.

Quais os motivos do endividamento? A última pesquisa da Serasa sobre o tema, divulgada em outubro, mostrou que o desemprego era a principal causa do endividamento (40%), seguido pela desorganização financeira (14%) e compras do dia a dia (11%).

“Foi a primeira vez que a compra de mantimentos apareceu como causa de endividamento. Isso reflete o momento que o país está vivendo. Quando as pessoas estão sem dinheiro, a última coisa que elas deixam de pagar são as contas básicas. Mas até isso vem sendo afetado”, disse Matheus Moura, gerente da Serasa.

Pesquisa realizada pelo Acordo Certo – empresa de renegociação de dívidas, mostra que as preocupações dos endividados se dividem entre o medo de não conseguir prover o básico (35%), não conseguir pagar as dívidas (34%) e ficar com o nome negativado (34%).

As dívidas também têm impactado diretamente na saúde mental e emocional dos brasileiros. De acordo com a pesquisa, 7 em cada 10 pessoas relatam que tiveram ou ainda tem alterações de humor (72%) ou sono (71%), além de ansiedade (67%) e baixa produtividade nas tarefas do dia a dia (62%).

Quais contas são as principais responsáveis pelo endividamento? Na pesquisa da Serasa, o cartão de crédito aparece como maior responsável pelo endividamento:

  • Cartão de crédito: 58%
  • Lojas: 30%
  • Empréstimo: 19%
  • Cheque: 18%
  • Telefone: 17%
  • Luz: 16%
  • Empréstimo do nome: 15%
  • Celular: 12%
  • Água: 10%
  • Aluguel: 9%

Por que as pessoas se endividam? Para João Henrique Dib Netto, head de ciência de dados da Blu365, plataforma de negociação de dívidas, o endividamento é causado, principalmente, por dois motivos. “Um deles é o descontrole financeiro, que atinge pessoas de todas as faixas de renda. Sem esse controle, as pessoas gastam mais do que podem. Outro, que atinge os de menor renda, é a dificuldade de fazer frente às contas básicas do dia a dia, principalmente nesse contexto de pandemia, aumento do desemprego e queda de renda.”

Como não ficar inadimplente? Existem várias dicas que devem ser seguidas por quem deseja segurar as rédeas da vida financeira. Veja algumas:

Descubra quanto você ganha e quanto gasta

Por incrível que pareça, mas ainda existem pessoas que não fazem essa conta. “Quando se fala em planejamento financeiro, parece um bicho de sete cabeças. Mas não é. É preciso saber quanto ganha e quanto gasta. Se a pessoa recebe R$ 900 e gasta R$ 1.000, ela vai ter um problema”, disse Matheus Moura, gerente da Serasa.

Esse controle de entrada e saída de dinheiro pode ser feito em um caderno, em uma planilha ou até por aplicativo. “O importante é saber quanto se gasta exatamente, afirma Moura.

Prepare-se para emergências

Lembra da famosa reserva de emergência? É preciso construir essa reserva para arcar com imprevistos que surgem. Quem não tem essa reserva, acaba ficando endividado. “Uma das coisas que mais acontecem são os imprevistos: é um cano que quebra, um carro que bate, um gasto médico inesperado. Às vezes, o descontrole financeiro vem do imprevisto. Por isso, a segunda dica é criar uma reserva para emergências”, diz o gerente da Serasa.

E de quanto deve ser essa reserva?

Os cálculos variam. Moura sugere que a reserva seja composta por até seis meses de gastos mensais. Ou seja, descubra tudo o que gasta em um mês e multiplique por seis. “Tem gente que não começa a reserva porque acha que sobra muito pouco. O importante é começar, mesmo com pouco. Essa reserva não será formada do dia para a noite. Guarde a quantidade que puder.”

Descubra quanto deve

Moura diz que para começar a pagar o que deve, a pessoa tem que primeiro descobrir qual o valor da dívida. “Às vezes, a pessoa não tem o valor para quitar o que deve de uma vez. Mas se ela procurar a empresa, pode conseguir um parcelamento.”

Renegocie a dívida

O gerente da Serasa diz que as empresas costumam oferecer descontos para quem quer quitar uma dívida. “Procure a melhor forma de negociação. Com a pandemia, essas negociações são feitas 100% online e há descontos de até 99%. Se parcelar, tenha em mente que é preciso pagar em dia a parcela sob risco de perder o desconto da negociação.”

Nome ficou limpo? Cuido com as novas compras

Conseguiu quitar as dívidas e ficou com o nome limpo. Cuidado para não ficar novamente com o nome sujo. Use todo o aprendizado que reuniu para pagar as contas para comprar apenas o que conseguir quitar. E caso de parcelamentos, verifique se as novas compras não extrapolar seu poder de compra.

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