As empresas de tecnologia brasileiras vêm apresentando um desempenho bem superior ao do Ibovespa desde bem antes da pandemia de coronavírus começar a fazer estragos por aqui.

É o que mostra um índice criado pela gestora Brasil Capital para acompanhar o desempenho apenas das companhias que possuem boa parte do seu modelo de negócios ligado à tecnologia.

De dois anos para cá (entre junho de 2018 e junho deste ano), o índice mostrou uma valorização de 142,5%, contra 33% do principal índice da Bolsa. Ou seja, uma alta quatro vezes maior no período.

Esse cenário muito melhor para as empresas de tecnologia em comparação com a média do mercado se acentuou durante a pandemia. No primeiro semestre deste ano, enquanto os papeis das techs brasileiras se valorizaram 41,2%, o Ibovespa afundou 18,5%.

Esse movimento tem a ver com o fato de que períodos conturbados costumam acelerar inovações tecnológicas já em curso na sociedade. A crise que estamos vivendo, que envolve a necessidade de lidar com o isolamento social para que a economia continue a girar, carrega um duplo estímulo para essas mudanças.

De e-commerce a softwares

O índice calculado pela Brasil Capital é formado por empresas fortes em áreas tão diferentes como e-commerce, soluções de pagamento, hospedagem de sites e softwares.

O comércio eletrônico, entretanto, foi sem dúvida a estrela da crise.

“O setor de tecnologia apresentou forte retorno nesses últimos semestres, tendo como destaque a excelente performance do segmento de e-commerce durante o período de isolamento social”, afirmou a gestora em relatório a investidores.

Um exemplo de varejista dedicada ao comércio online que surfou com gosto na crise é a B2W, dona da Americanas.com e da Submarino, que viu suas ações dispararem impressionantes 98,5% do início de março, quando a crise começou, para cá. Outro destaque é a Via Varejo, da Casas Bahia e Ponto Frio, que avançou 45,6% no período.

Mas não é só de e-commerce que se faz o bom desempenho das empresas de tecnologia.

A Locaweb,  empresa do segmento de hospedagem de sites que entrou na Bolsa neste ano, se valorizou 113,8% do início de março para cá. A XP Investimentos, que possui ações listadas apenas nos Estados Unidos, viu seus papeis se valorizarem 39,8% no mesmo período.

“O modelo de uma empresa como a XP é pouco impactado pelo coronavírus”, explica William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, corretora baseada em Miami, nos EUA. “Não vou dizer que é um modelo à prova de crise, mas são empresa bem menos dependentes de operações físicas, o que reduz custos e permite maior flexibilidade”.

Adaptação mais rápida

O levantamento feito pela Brasil Capital levou a plataforma de investimentos Vitreo a lançar um fundo dedicado somente a empresas brasileiras que tem boa parte dos seus negócios norteados pela tecnologia, batizado de Tech Brasil.

O fundo, que foi lançado no dia 16 de julho deste mês, requer investimento mínimo de R$ 5 mil, e tem uma taxa de administração de 0,9%.

“A bolsa americana tem sido sustentada pela alta de empresas de tecnologia há alguns anos já”, afirma George Wachsmann, gestor de patrimônio da plataforma. “Na crise, ficou latente que enquanto empresas grandes, de setores tradicionais, sofreram fortes impactos, as empresas de tecnologia conseguiram se adaptar muito mais rapidamente”.

Para ele, o coronavírus apenas acelerou um processo que já vinha acontecendo, e estava mais lento no Brasil antes da pandemia.

“Antes da crise, enquanto no Brasil o shopping center ainda bombava, nos Estados Unidos as empresas que ainda não haviam migrado para o online já sofriam”, afirma.

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