Em janeiro de 2020, começou a valer a regra que limita os juros cobrados por bancos no cheque especial a 8% ao mês, ou 151,8% ao ano. Quase um ano e meio depois, o Banco Central avaliou, em um levantamento divulgado nesta quarta-feira (dia 26), os impactos dessa medida, e a conclusão é que a norma economizou cerca de R$ 1 bilhão por mês em pagamento de juros, ou R$ 11,6 bilhões ao longo de todo o ano passado.

O BC frisou que o uso do cheque especial se reduziu bastante em 2020, mas observou que a utilização de outras modalidades de crédito com taxas maiores, como cartão rotativo, também caiu por causa do pagamento do auxílio emergencial, renegociação de dívidas e poupança de precaução das famílias por causa da pandemia.

“A queda de taxa de juros e os indícios de que não houve restrição na oferta do produto indicam aumento de bem-estar do consumidor, sem perda de eficiência econômica. Conclui-se, assim, que a política de limitação de juros avaliada atingiu os efeitos esperados”, afirmou a autoridade monetária no estudo.

O levantamento apontou ainda que a utilização desse tipo de crédito caiu um pouco mais entre os beneficiários do auxílio emergencial. “Um dos fatores apontados para a redução do uso de modalidade rotativas pelos tomadores de menor renda, em geral, mais suscetíveis a choques de renda e necessidade de utilização de linhas de crédito emergencial, é a abrangência alcançada pelo auxílio emergencial”, diz o texto.

A nova regra fez a taxa de juros média praticada no cheque especial cair de 272,7% ao ano, em dezembro de 2019, para 127% ao ano em dezembro do ano passado, abaixo do limite permitido, de 151,8% ao ano.

Queda no uso do cheque especial

Como mostrou essa reportagem do 6 Minutos, no ano passado os novos empréstimos do cheque especial tombaram quase 20%, uma queda muito mais pronunciada do que as concessões de crédito para pessoas físicas como um todo, que caíram 1,9%.

A categoria, que representava 20% de todos os empréstimos a pessoas físicas em 2019, viu sua participação reduzida a 16,7%, enquanto outras modalidades bem mais baratas, como o crédito pessoal e o crédito consignado, ganharam terreno.

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