Renda fixa, aqui me tens de regresso. Assustados com o impacto do avanço do coronavírus sobre os preços das ações –a bolsa despencou mais de 28% do início de março até agora–, investidores colocaram quase três vezes mais dinheiro em fundos de investimento conservadores do que naqueles que envolvem risco neste mês.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que somente nos primeiros nove dias úteis de março, os fundos de renda fixa, que vinham no vermelho desde outubro do ano passado, tiveram uma captação (diferença entre aplicações e resgates) de R$ 9,7 bilhões .

No mesmo período, os fundos de ações ficaram positivos em apenas R$ 3,3 bilhões. Isso dá uma média de R$ 407 milhões por dia, menos da metade do registrado por essas aplicações em janeiro (R$ 1 bilhão), antes do aprofundamento da crise.

Os dados da Anbima vão até o dia 12, mas especialistas acreditam que esse movimento se intensificará ainda mais nesta semana.

“O volume de resgates dos fundos de ações e multimercados [que investem tanto em renda fixa como variável] cresceu bastante”, aponta Vinicius Soares, diretor de produto da gestora de investimentos digitais Monetus.

Ontem, a XP Investimentos afirmou que espera que seus clientes migrem para aplicações menos arriscadas durante a turbulência causada pela infecção.

Os fundos de renda fixa não costumam receber mais aportes do que os de ações? Esse cenário vem mudando do ano passado para cá por duas razões. Uma é o processo de redução da taxa básica de juros, hoje em 4,25% ao ano, para a mínima histórica. A queda fez cair, e muito, a rentabilidade dos fundos de renda fixa.

Paralelamente, o Brasil viveu no ano passado uma forte expansão do seu mercado de capitais, com a bolsa inclusive ultrapassando a marca de dois milhões de investidores pessoa física e fechando 2019 acima do patamar de 100 mil pontos.

É nesse cenário que nos últimos cinco meses a renda fixa vinha sofrendo mais resgates do que aportes, apesar de os fundos mais conservadores ainda representarem 44% do patrimônio de todas as aplicações. As opções de renda variável, na contramão, só ganhavam.

Essa tendência foi interrompida em fevereiro por causa do pânico com o coronavírus.

Qual tipo de fundo de renda fixa teve mais aportes em março? Foram os soberanos de baixa duração, que aplicam quase todos os recursos em títulos públicos. Esses fundos tiveram uma captação de R$ 17,8 bilhões somente entre o dia 1 e 12 deste mês.

“É esperado que investidores que ficam desconfortáveis com a volatilidade atual migrem para ativos mais conservadores. Mas as pessoas saem do alto risco para o mais baixo. É 8 ou 80”, observa Soares, que recomenda que aqueles que não suportam a volatilidade do mercado de ações façam uma transição mais suave.

E entre os fundos de ações, há algum tipo que já está negativo neste mês? Sim. Os fundos setoriais (que aplicam principalmente em ações de determinados setores) tiveram saída de R$ 481 milhões.

Aqueles que aplicam em small caps (empresas menores e que movimentam menos volume na bolsa) também ficaram no vermelho em R$ 285 milhões. “Em geral, os investidores tendem a buscar empresas mais sólidas e com caixa nesses momentos”, explica Soares.

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