A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de elevar hoje a taxa Selic para 9,25% ao ano muda a forma de remuneração da poupança. É que existem duas formas diferentes de calcular o rendimento, que mudam de acordo com o patamar da taxa básica de juros.

Quando a Selic ultrapassa 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser de 0,5% ao mês mais TR (Taxa Referencial), que atualmente está praticamente zerada. Quando a Selic fica inferior a 8,5% ao ano, a regra de remuneração da poupança é outra: ela rende 70% da taxa básica de juros.

Com a Selic atual de 7,75% ao ano, a poupança rende 5,42% ao ano. Com a Selic a 9,25% ao ano, a poupança passa a ter uma remuneração de 6,17% ao ano.

E o que isso significa para quem tem dinheiro na poupança? Ela passa a render um pouco mais por essa regra de cálculo, mas continua perdendo para a inflação – que acumula alta de 10,73% em 12 meses – e para outros investimentos conservadores.

“Assim que a Selic ultrapassa os 8,5% ao ano, a poupança começa a ter uma desvantagem ainda maior em comparação a outros investimentos conservadores. Quanto mais a taxa de juros subir, maior vai ficar a desvantagem para quem tem poupança”, afirma Thiago Milanez, planejador financeiro CFP pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro).

O cenário não é animador se considerar essa regra. A expectativa é de que a taxa Selic continue subindo nas próximas reuniões, chegando à casa dos 12% ao ano nos primeiros meses de 2022.

E como fica a regra da poupança antiga? Nada muda. Quem tinha dinheiro aplicado na poupança até o dia 3 de maio de 2012 tem a mesma rentabilidade sempre, independentemente do valor da Selic: 0,5% ao mês mais TR, o que dá cerca de 6,17% ao ano.

Na prática, as rentabilidades da poupança “velha” e da “nova” ficam iguais com o aumento da Selic.

Veja as simulações feitas pela Magnetis, com investimento inicial de R$ 10 mil: 

 Poupança CDB 100% do CDI (líquido)Diferença
Selic a 7,75%R$10.542,50R$10.639,38
R$ 96,88
Selic a 9,25%R$10.616
R$ 10.763,13
R$ 147,13
Selic a 10%R$10.616
R$10.825R$ 209
Selic a 11%R$10.616
R$10.907,50
R$ 291,50

O CDB considerado tem rendimento de 100% do CDI, liquidez diária e prazo de resgate de um ano. Diferentemente da poupança, que é isenta de Imposto de Renda, os CDBs têm cobrança de Imposto de Renda regressiva, ou seja, quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor a alíquota – que varia de 22,5% a 15%.

Quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, maior a diferença entre o rendimento do CDB para a poupança. Veja como fica em dois anos:

 Poupança CDB 100% do CDI (líquido)Diferença
Selic a 7,75%R$11.114,43R$11.368,55
R$ 254,12
Selic a 9,25%R$11.269,95
R$11.645,23
R$ 375,28
Selic a 10%R$11.269,95
R$11.785R$ 515,05
Selic a 11%R$11.269,95R$11.972,85R$ 702,90

Mas onde colocar o dinheiro que está poupança? Para os especialistas, tudo depende do perfil do investidor e em quanto tempo o dinheiro será usado.

“Quem compra títulos do Tesouro Selic, por exemplo, já vai ganhar mais do que na poupança. Como o rendimento da poupança se limita a 0,5% ao mês, com uma inflação de 10%, a Selic pode até passar de 11%. Neste cenário, se torna mais interessante comprar títulos públicos”, afirma Mauro Rochlin, professor dos MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Outra opção, para Rochlin, é apostar em fundos de renda fixa ou CDBs de bancos. “Se o investidor tem menos de R$ 250 mil, pode comprar CDBs de bancos de segunda linha, que vão oferecer taxas maiores com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito)”, afirma. Bancos de segunda linha são aqueles que possuem mais risco atrelado e, por isso, possuem uma avaliação mais baixa.

“Os títulos são classificados a partir do rating do banco, que avalia o risco. Existem agências classificadoras de risco que carimbam os riscos dos títulos dos bancos. Então um banco de segunda linha é aquele que não tem uma avaliação de risco triple A”, afirma Rochlin.

Vale a pena tirar o dinheiro da poupança? Pensando em rentabilidade, sim. Os especialistas alertam que, antes de escolher qualquer tipo de investimento, é preciso estudar para entender quais as características de cada um dos ativos ou buscar a ajuda de especialistas.

“Cada um tem que decidir se vale a pena ou não dedicar tempo para aprender mais sobre investimentos. Muitas pessoas querem aprender a investir e conhecimento é sempre bom, mas às vezes estamos tentando aprender algo que não conseguimos aplicar na hora. Tem momentos que temos que dedicar o tempo para ganhar mais dinheiro e gastar menos. Depois do volume acumulado, é hora de se preocupar com a multiplicação”, afirma Milanez.

 

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