O sobe e desce das cotações das ações na Bolsa mostra que os papéis ganham e perdem valor de mercado todos os dias, ao sabor de diversos fatores domésticos e internacionais. No melhor dos mundos, o investidor comprará os papéis na baixa e venderá na alta, embolsando a diferença de preço. Mas, ainda que o ganho de capital seja uma estratégia para fazer dinheiro nesse mercado, é nos dividendos pagos por algumas empresas que muitas pessoas físicas estão de olho.

Prova disso é que empresas que anunciam a distribuição de dividendos acabam provocando uma correria de interessados em seus papéis. Um exemplo recente é a CPFL, que viu suas ações CPFE3 subirem 3,37% na quinta-feira (2) após ter anunciado dividendos extraordinários de R$ 804 milhões, ou R$ 0,697762553 por ação ordinária. O pagamento será feito em 21 de dezembro e terão direito a esses dividendos os acionistas que estiverem em posse das ações até o dia 9 de dezembro – ações compradas a partir do dia 10 não farão jus a esses proventos.

Interesse ainda maior despertou a Taesa, que anunciou distribuição de R$ 320,984 milhões a título de dividendos e mais R$ 202,015 milhões de juros sobre o capital próprio (JCP), totalizando R$ 523 milhões em proventos. Apenas papéis que tiverem sido comprados até o dia 6 de dezembro valerão para o pagamento desses proventos, que será feito em 29 de dezembro. Os papéis TAEE11 subiram 3,68% também na quinta (2), primeiro pregão após o anúncio.

Não por acaso, tanto CPLE6 como TAEE11 são ações de empresas de energia, um dos melhores setores para quem investe de olho nos dividendos. Também está nesse time a Copel, que aparece em nossa lista pela primeira vez. A previsibilidade de receita dessas empresas ajuda a garantir um fluxo regular de proventos para o investidor. Nas carteiras recomendadas pelas principais corretoras, ações de energia são presença certa, e neste mês não foi diferente. O 6 Minutos analisou as carteiras de 9 casas: MyCap, Elite, Ativa, BTG Pactual, Genial, Guide, XP, Órama e Warren. Destacamos abaixo os papéis que obtiveram pelo menos 4 (quatro) indicações. Veja quais foram eles.

Taesa (TAEE11) – 6 indicações: Ativa, BTG, Elite, Genial, Warren e XP

Mais uma vez, a Taesa (Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A.) sagrou-se a campeã de indicações entre as ações que pagam bons dividendos, com presença em 6 das 9 carteiras analisadas pelo 6 Minutos. A companhia, um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil, tem um histórico de bons resultados nos últimos anos.

“Ela conseguiu manter uma estabilidade positiva em sua receita líquida – o que demonstra a resiliência de seu modelo operacional e do setor de transmissão de energia, mesmo em momentos mais difíceis da economia – e elevou sua margem líquida de 48% para 81%, com uma margem Ebitda estável próxima a 80% (maior Ebitda do setor de transmissão)”, afirma o BTG Pactual.

Outra virtude destacada pelo banco é a disciplina financeira da companhia. “Ela tem rígido controle de custos, a mais alta nota de crédito nas três agências de classificação de risco e uma alta diligência no processo de alocação de capital, buscando sempre bons projetos com alta rentabilidade. Sua eficiência operacional garantiu uma sólida geração de caixa ao longo dos anos e permitiu a distribuição de uma boa parcela de seus lucros para os acionistas.”

A Ativa destaca que, por possuir 20 de suas 39 concessões atualizadas anualmente pelo IGP-M, a Taesa vem conseguindo compensar a queda de receita anual das concessões que entraram em seu 16º ano com os reajustes tarifários indexados à inflação e a entrada em operação de novos projetos. “Ela promove ampla distribuição de proventos, com payouts que passam de 90% do lucro líquido, bem como dividend yields atrativos.”

Copel (CPLE6) – 4 indicações: Ativa, BTG, Warren e XP

A estatal tem uma área de concessão que cobre 98% do estado, com uma população de 8,4 milhões. Os principais clientes da empresa são industriais (40%) e residenciais (25%). Os 4.756 MW de capacidade da Copel geram energia mais do que suficiente para atender à demanda do varejo, de modo que a empresa atualmente vende o excedente ao sistema interligado brasileiro. A política de distribuição de dividendos da empresa estabelece 3 faixas percentuais entre 25% e 65% do lucro líquido ajustado, conforme o nível de alavancagem da empresa. O BTG Pactual estima o yield da companhia para este ano em 11%.

A XP explica que as ações historicamente negociam com desconto em relação a pares devido a ineficiências que vêm do passado. “A subsidiária de distribuição da Copel tem os mais altos custos de pessoal, materiais e serviços (conhecidos como “custos gerenciáveis”) em nossa cobertura do setor elétrico. Atualmente, os custos da empresa estão 23% acima dos pares nos setor. Por mais que ela tenha feito progresso nos últimos anos, a administração da Copel vem comunicando ao mercado que há espaço para maiores economias.”

A Ativa tem recomendação neutra para o papel, argumentando que “os atuais valores já contemplam os atuais riscos e retornos da tese de investimentos, além da média do desconto histórico frente ao seu valor patrimonial”. A corretora diz que a companhia vem obtendo boas respostas no combate à inadimplência, elogia seu movimento de expansão renovável (que, após a aquisição do Projeto Eólico Vilas, busca novas oportunidades) e observa que a Copel teve seu rating nacional elevado para AAA pela Fitch no segundo trimestre deste ano.

Bradesco (BBDC4) – 4 indicações: Ativa, BTG, Elite e Órama

Segundo maior banco privado do Brasil, tem uma carteira de crédito de mais de R$ 500 bilhões e um braço forte de seguros, com relevante importância no resultado da empresa (cerca de 30% do lucro total da companhia). Além disso, também atua como banco de investimentos e presta serviços financeiros. “Optamos por colocá-lo na nossa carteira pela relevância do business de concessão de crédito no negócio, especialmente no que se refere aos clientes large corporate. Este será um dos últimos negócios a serem atacados pelas fintechs, além de se beneficiar de um fator conjuntural que é a alta da Selic”, justifica a Órama. “O business de seguro de saúde também deve se beneficiar dessas mesmas componentes.”

O BTG Pactual diz que tem recebido muitas consultas sobre o mau desempenho recente das ações de bancos, uma vez que muitos investidores esperavam que o setor ficasse mais defensivo no atual cenário de inflação e juros elevados. Mas ainda vê um cenário construtivo para o setor e boas perspectivas para o Bradesco. “A margem financeira com clientes pode crescer acima de 10% em 2022, com as inadimplências e as provisões sob controle. E apesar de um nível de sinistralidade que ainda não recuou para patamares históricos dentro do Bradesco Saúde, os papéis do Banco negociam a 1,3x P/VP (desconto de ~20% para média histórica), com dividend yield estimado em 7,9%. Assim, eles estão negociando em níveis atraentes.”

A Ativa também acha o valuation do Bradesco atrativo e diz que o banco deve atravessar este momento de alta da inadimplência sem a necessidade de provisões adicionais, graças aos seus indicadores de crédito saudáveis. “Além disso, vemos o banco fazendo frente à competição dos bancos digitais, por meio de iniciativas com o Next e a BIA, além de redução agressiva nas despesas operacionais – o que deve melhorar seu índice de eficiência progressivamente nos próximos 5 anos, chegando a 45% até o final de 2025.”

Isa Cteep (Cia. Transm. Energia Elétrica Paulista) (TRPL4) – 4 indicações: Ativa, BTG, Elite e XP

A ISA CTEEP é a maior empresa privada de transmissão do setor elétrico brasileiro, com mais de 19 mil km de linhas de transmissão. Por meio de suas atividades e de suas controladas e coligadas, ela atua em 17 estados do país e responde por um terço de toda a energia elétrica transmitida pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), além de 94% da energia de São Paulo.

Para quem está atrás em busca de bons dividendos, o segmento de transmissão é uma excelente escolha. “Ele é um dos mais estáveis do setor elétrico. Ele tem alta previsibilidade e retorno independente do cenário macroeconômico, devido à sua estrutura de receitas fixas, reajustadas anualmente com índices de inflação. Isso permite sólida geração de caixa e o pagamento de atrativos dividendos”, explica a XP.

Esse caráter defensivo do segmento ajuda a dar tranquilidade para o investidor, mesmo em meio a um cenário macro desafiador. “Continuamos a não enxergar grandes riscos para a manutenção do pagamento de dividendos da ISA CTEEP em 75% do lucro líquido regulatório, dada a sua posição de caixa confortável e a resiliência do segmento de transmissão de energia. Estimamos um dividend yield de 7,6% em 2022”, prevê a XP.

Engie Brasil (EGIE3) – 4 indicações: Elite, MyCap, Órama e XP

A Engie é a maior produtora privada de energia elétrica do Brasil, com 72 usinas. Quase 90% de sua capacidade instalada no país vem de fontes renováveis e com baixas emissões, como usinas hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa. Com a aquisição da TAG, ela passou a deter a mais extensa malha de transporte de gás natural do país, com 4.500 km, que atravessam 10 estados e 191 municípios. Essa diversificação de setores traz mais resiliência à companhia.

“Desde a privatização, ela foi ótima pagadora de dividendos e excelente alocadora de capital, entrando em projetos atípicos com alta taxa de retorno e tendo sucesso consistente”, escreve a Órama. “Além das boas perspectivas associadas às iniciativas recentes no mercado de gás e em eólicas, recomendamos a ação pelos proventos recorrentes que a companhia paga aos acionistas.”

A XP observa que, embora a administração da companhia tenha um compromisso de distribuição mínimo de 55% do lucro líquido ajustado (payout de 55%), a Engie vem apresentando um histórico de pagamento de dividendos superior a esse patamar, que chegou a 100% em 2021. Com isso, a corretora estima que o dividend yield da companhia será de 11,3% em 2022.

A corretora exalta, ainda, a estratégia de comercialização de energia da Engie, tradicionalmente reconhecida como uma das melhores do setor. “A empresa pratica a sazonalização do despacho de usinas hidrelétricas ao longo do ano e na compra de contratos de energia para diminuir os efeitos da baixa incidência de chuvas nos resultados. Tal estratégia garante uma sólida geração de caixa”, afirma.

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