As mulheres representam 51,8% da população brasileira, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas mesmo assim correspondem a 29% dos investidores da Bolsa. A julgar pelos dados do peso feminino no Tesouro Direto, entretanto, a tendência é de um futuro melhor para a participação delas na renda variável.

Atualmente, as mulheres respondem por 32,6% dos investidores do Tesouro, percentual que, apesar de baixo, aumentou 12 pontos percentuais ao longo dos últimos 12 anos.

“Se você considerar a trilha tradicional dos investimentos, que costuma ser partir das aplicações mais conservadoras para depois incorporar as mais arriscadas, é natural começar no Tesouro e trilhar depois para a renda variável”, avalia Pietra Guerra, analista da Clear Corretora. “Como as mulheres entram um pouco depois, a expectativa é que esse peso na Bolsa cresça ao longo do tempo.”

Reprodução/ B3

 

Esse caminho das mulheres para a diversificação aparece inclusive dentro da própria Bolsa. Dados divulgados pela B3 neste mês mostram que, assim como no caso dos homens, elas vêm aplicando cada vez mais em diferentes ativos.

O percentual de investidoras com ações mais fundos imobiliários na carteira saltou de 7%, em 2016, para 24% no segundo trimestre deste ano, em contraponto aos 51% de mulheres que aplicam exclusivamente em ações. Elas ainda aplicam mais do que os homens somente em fundos imobiliários: 12%, contra 8% dos homens.

“Os fundos imobiliários têm menos volatilidade do que as ações, é uma gama de produtos de renda variável que conversam bem com quem está chegando ao mercado”, afirma Pietra. “É um produto que faz sentido para os entrantes.”

Reprodução/ B3

Corretoras apostam no público feminino

É de olho nesse público que as corretoras vêm lançamento movimentos para engajar e estimular as mulheres a investirem. A Clear, por exemplo, lançou um desafio batizado de “Rumo aos 2 milhões”, que visa dobrar o número de mulheres investidoras na Bolsa até março de 2022.

“Tentamos dialogar mais com o público feminino. A minha própria vinda para a corretora, em setembro de 2020, foi nessa linha de aumentar o time de analistas que era formado exclusivamente por homens. A ideia é que as mulheres se sintam mais conectadas, mais incluídas”, diz Pietra.

A chegada na corretora de Ariane Campolim, produtora de conteúdo que fala mais com o público trader, também aconteceu nesse contexto. “Estamos reforçando o time e procurando o público feminino em diferentes canais”, aponta Pietra. “E vem dando certo. Um quarto das mulheres da B3 são clientes da Clear.”

A Rico vem focando em ter um time de consultoras especializado no atendimento às mulheres. “No nosso time de análise, são três mulheres. Desde o ano passado, nossa audiência feminina nas redes sociais já subiu de 30% para 50%”, afirma Betina Roxo, estrategista chefe da corretora.

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