Aos 26 anos, Murilo Duarte já conseguiu realizar um sonho muito distante para a maioria dos brasileiros: ganhar seu primeiro milhão de reais. Mais conhecido como Favelado Investidor, o influenciador de finanças tem a meta de chegar aos R$ 10 milhões, valor que considera suficiente para não precisar mais trabalhar.

Nascido e criado pela mãe e avó no Jardim João XXIII, zona oeste de São Paulo, Murilo teve uma infância difícil. “Nunca passei fome, mas também não tínhamos nada além de arroz, feijão e uma mistura. Não tinha dinheiro para a chuteira, para a excursão da escola. Eu via as coisas na TV, tinha vontade, mas não podia comprar.”

Ele cresceu, entrou na faculdade de contabilidade e começou a trabalhar. Na época, trabalhava em um cartório e ganhava R$ 680 por mês. A mensalidade do curso era R$ 640. Sobrava só R$ 40. Foi com essa sobra que ele começou a estudar sobre investimentos.

“Comprei o livro Tesouro Direito – A Nova Poupança. Com conhecimento, descobri que não precisava de muito para investir. Juntei por três meses e com R$ 120 fiz meu primeiro investimento em Tesouro Selic. Depois, passei a entender o conceito de reserva de emergência (demorei dois anos para fazer a minha). Continuei estudando e só dois anos depois, em 2017, 2018, é que cheguei ao mercado de ações.”

De 2015 para cá muita coisa mudou. Murilo agora mora de aluguel na Granja Viana, acaba de comprar um carrão e planeja realizar o sonho da mãe de ter uma casa própria. Com 285 mil seguidores na Youtube e outros 407 mil no Instagram, o influenciador diz que é preciso guardar dinheiro, mas sem abrir mão de seus sonhos.

Leia abaixo entrevista com Murilo Duarte:

Como foi que você aprendeu sobre investimentos? Qual foi sua motivação?

Murilo Duarte – Comecei a estudar em 2015, mesma época em que entrei na faculdade. Me interessei por vários motivos, mas principalmente por coisas que aconteceram na minha infância. Nunca passei fome, mas também não tínhamos nada além de arroz, feijão e uma mistura. Não tinha dinheiro para a chuteira, para a excursão da escola. Eu via as coisas na TV, tinha vontade, mas não podia comprar.

Para não passar mais por isso, decidi que precisava encontrar uma forma de ganhar dinheiro. Foi aí que me deparei com a educação e entendi questões como consumo, de que é preciso fazer o dinheiro sobrar para poder investir. E que fazendo mais dinheiro dá comprar e realizar objetivos. Foi por isso que comecei a estudar sobre o mercado financeiro.

E qual foi seu primeiro investimento?

Comecei juntando R$ 40 por mês, que era o que sobrava do meu salário no cartório. Juntei por três meses e com R$ 120 fiz meu primeiro investimento em Tesouro Selic. Depois, passei a entender o conceito de reserva de emergência (demorei dois anos para fazer a minha). Continuei estudando e só dois anos depois, em 2017, 2018, é que cheguei ao mercado de ações.

E no que você investe hoje? Qual é sua carteira?

Hoje, separo minha carteira privada e da minha carteira pública. Na minha carteira pública, eu mostro que é possível chegar aos R$ 100 mil investindo pouco por mês. Hoje, essa carteira tem R$ 37.385. Ela está dividida em ações (44,68%) e fundos imobiliários (52,69%). E tem mais 2,53% em Tesouro Direto. E tenho um fundo de emergência de R$ 144 mil que estão em CDBs de liquidez diária.

A diferença entre minha carteira pública e privada são os valores. Mas são as mesmas ações e mesmos percentuais.

Nas suas redes você sempre critica o day trade. Qual o motivo?

Sim, sou um crítico. Quando você olha as estatísticas, a grande maioria perde dinheiro com day trade. Uma parcela mínima tem ganhos consistentes. A maioria mais perde do que ganha. Não faz sentido incentivar as pessoas a perderem dinheiro. E já li reportagens de pessoas que entraram em depressão ou que se viciaram. Não curto.

Tem alguns influenciadores que incentivam isso como se não houvesse nenhum risco. E não é assim. Minha crítica é de que é preciso alertar que o risco de perder dinheiro é grande.

E como você ganha dinheiro? O que faz com os rendimentos dos seus investimentos?

Logo que comecei a ganhar, quitei uma dívida de R$ 20 mil e mudei minha organização financeira para não ficar mais endividado. Hoje, grande parte do que ganho vem do meu trabalho. Meu objetivo patrimonial é ter R$ 10 milhões investidos e tenho trabalhado duro para isso. E sigo sempre investindo, não tiro nada de lá, só guardo.

Falta muito para chegar aos R$ 10 milhões?

Uns R$ 9 milhões.

Você postou que está procurando uma casa. Vai comprar ou alugar? O que é melhor?

Eu sempre falo que todo investimento tem que ter por trás um propósito. Pode ser comprar um tênis, um carro ou uma casa. Então invista e realize seu objetivo. Financeiramente, alugar é melhor. Mas se seu sonho é comprar, então compre a casa. O sonho da minha mãe é ter uma casa própria, então estou procurando uma. Não tenho o direito de passar por cima do sonho dela.

Você não mora mais no Jardim João XXIII, né? Ainda frequenta lá?

Fico mais lá do que em casa. Minha avó mora lá, mora numa casa que foi meu avô que construiu e não quer sair de lá, tem apego. Meus amigos estão lá, vou na casa deles, eles vêm na minha.

De onde surgiu o nome Favelado Investidor?

Eu era trainee da KPMG e numa conversa alguém que perguntou por que não criava um canal no YouTube. E disse: ‘mano, já tem um monte de influenciador. Mas se for para criar, vai se chamar Favelado Investidor’. Foi muito natural. Nasci na favela e invisto. Achei o nome chamativo e confiante. Quando fala favelado, remete à pessoa que não tem dinheiro. E para ser investidor, as pessoas acham que é preciso ter muito dinheiro. Mas não precisa disso tudo, a pessoa pode ser da favela e começar a investir.

Você já realizou todos seus sonhos? O que está faltando?

Sim e não. Já realizei o sonho de ter uma condição financeira melhor e não me preocupar mais com contas para pagar. Realizei o sonho de dar uma condição melhor para minha mãe e minha família, de ter um convênio médico, de comer em restaurante da hora, de ter roupa da hora, de ter uma estrutura, comprar um carro.

Tenho o sonho de viajar para o exterior, mas a veio a pandemia, o dólar disparou. Estou me organizando melhor para isso. Sonho poder comprar uma casa para minha mãe, ter o carro dos meus sonhos. Mas sou bem paciente. Comecei a trabalhar aos 16 e com 25 comecei a realizar esses sonhos.

Murilo Duarte, o Favelado Investidor

 

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