A preocupação com dinheiro afeta a saúde mental e emocional das pessoas. Pesquisa realizada pela empresa Acordo Certo mostra que as dívidas tiram o sono de 71% dos brasileiros. Para 62%, a preocupação com as finanças reduz a produtividade nas tarefas do dia a dia.

Algumas empresas abriram os olhos para o problema e passaram a se preocupar com a saúde financeira dos funcionários e estão oferecendo cursos e consultorias de educação financeira.

“Há uma preocupação com o engajamento e saúde mental do funcionário. Além disso, indicadores mostram que colaboradores com boa saúde financeira são mais produtivos. São duas medidas: a busca da sustentabilidade da força de trabalho e outra é que pessoas felizes, satisfeitas e sem preocupações são mais produtivas”, diz Guilherme Gazzoni, head de desenvolvimento de produtos da Mercer Brasil.

Isso é novidade dentro das empresas? Não, mas pouquíssimas companhias oferecem esse tipo de benefício. Mas a pandemia, que aprofundou o desemprego e a redução de renda, acelerou a busca por esse tipo de conhecimento por parte das empresas.

“A pandemia trouxe para dentro das empresas programas de bem estar com uma força que não se via até então. Quando se pensa nesse pilar de forma mais geral, entra o bem-estar físico, o mental e o financeiro”, afirma Felipe Bruno, diretor de previdência da Mercer Brasil.

Entre as empresas que ministram cursos de educação financeira para seus funcionários está o C6 Bank. Entre 2020 e 2021, o banco promoveu cinco cursos de educação financeira para seus colaboradores.

“O banco seguirá disseminando o conhecimento em educação financeira internamente. Além de despertar a consciência financeira individual, o conteúdo compartilhado pode ajudar os colaboradores no planejamento das finanças da família também”, disse a instituição em nota. O 6 Minutos faz parte do mesmo grupo do C6 Bank.

Que lições os  funcionários tiram desses cursos? Joana Aldana Scheibler, especialista em qualidade da JTI (Japan Tobacco International) fez o curso no ano passado. Desde então, ela reformulou sua relação com o dinheiro.

“Para você ter uma ideia, eu não sabia para onde meu dinheiro ia. Achava que educação financeira era só cortar gastos. Mas aprendi que não é somente isso. É sobre entender onde estão as oportunidades e riscos, visando a qualidade de vida tanto hoje quanto no futuro”, disse.

A primeira coisa que ela fez foi uma planilha para descobrir quanto e como gastava. A partir daí, fez pequenas mudanças no dia a dia. “Dei uma filtrada nas redes sociais para diminuir o impulso visual de comprar. Após o curso, comecei a entender meus gastos, quais são meus objetivos financeiros e meu perfil.”

Joana incentivou o marido a entrar no aprendizado e agora o casal está conseguindo guardar dinheiro. “Hoje, consigo economizar sem prejudicar minha qualidade de vida. Já deu para formar uma reserva de emergência e outra para metas anuais, como viagens E começamos a planejar a aposentadoria.”

Como esses programas são oferecidos? Por conta da pandemia, empresas que oferecem educação financeira in company adaptaram seus conteúdos para o mundo digital. Na Mercer, a tecnologia ajuda a mapear os dramas financeiros de cada indivíduo.

“Dá para fazer um diagnóstico dos colaboradores, identificar o momento de vida de cada um, personalizar e individualizar como a massa se comporta e quais as principais dores do grupo”, afirma Gazzoni.

Como a educação financeira se encaixa nesse contexto? Tudo depende do momento de vida da pessoa. Se ela está se aproximando da aposentadoria, esse mapeamento pode identificar se a poupança está adequada para seu padrão de vida ou é necessário pensar em uma transição de carreira.

Pode ser também que a pessoa esteja empregada e não tenha sofrido redução de renda, mas entrou no vermelho porque precisou ajudar parentes que ficaram desempregados ou doentes.

“Encontramos todo tipo de situação, algumas muito preocupantes. Há casos em que a família pede para a empresa não deixar mais o funcionário pegar empréstimo consignado. Ou a pessoa está tão enforcada que pensa em pedir demissão para quitar as dívidas com a rescisão”, conta Gazzoni.

O que é feito, então? Por meio de orientação financeira, as pessoas podem analisar o nível de poupança, o endividamento, o planejamento para a aposentadoria e, quando há folga financeira, pensar em como investir em um ambiente de juros baixos.

Por que esse tipo de programa pode ser eficaz? Pesquisa realizada pela Mercer mostra que a educação financeira trouxe impacto positivo no trabalho para 86% dos entrevistados. Outros 45% disseram que houve aumento da satisfação com o trabalho. Quase um terço respondeu que gastaram menos tempo no trabalho com preocupações financeiras.

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