A pandemia de coronavírus fez com que quase R$ 100 bilhões a mais em cédulas passassem a circular pelo Brasil, mostram dados do Banco Central.

Levantamento do 6 Minutos mostra que, nesta quarta-feira (dia 3), data do lançamento da nova nota de R$ 200, havia R$ 352,5 bilhões em cédulas e moedas no país. Lá no dia 13 de março, antes da crise começar a impactar a economia, esse mesmo total era de R$ 256,1 bilhões.

Ou seja, nesse período do avanço da infecção pelo país, R$ 96,4 bilhões a mais passaram a circular no Brasil, trocando de mãos ou, em muitos casos, guardados dentro de casa, “debaixo do colchão”.

Todas as notas de valor mais alto tiveram forte alta de demanda, com exceção da cédula de R$ 1, que não é mais fabricada desde 2003.

Mas por que a pandemia estimulou a circulação de dinheiro vivo? Há algumas razões para isso. A principal delas é o pagamento do auxílio-emergencial de R$ 600 por causa da pandemia. Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ajudam a entender esse cenário: 7 em cada 10 beneficiários do programa Bolsa Família não possuem conta bancária, e sacam esses recursos, que foram triplicados por causa do auxílio emergencial.

De acordo com o BC, uma parcela considerável desses valores ainda não retornou ao sistema bancário.

Outro ponto importante é que a quarentena imposta pelo avanço da infecção pelo país reduziu drasticamente as vendas do comércio e serviços (em abril, por exemplo, o volume de vendas no varejo teve queda de 16,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados do IBGE).

Ou seja, um dinheiro que normalmente seria gasto em lojas ou restaurantes acabou não fazendo esse “caminho de volta” aos bancos.

Por fim, com medo das consequências da crise, muitas pessoas e empresas estão optando por manter uma reserva de emergência em espécie.

O que isso tem a ver com o lançamento da nota de R$ 200? A forte demanda por dinheiro em espécie fez com que a quantidade de notas de maior valor no Brasil começasse a não ser mais suficiente.

Se fosse imprimir mais notas de valores menores, como R$ 50 ou R$ 100, os custos com impressão, logística e distribuição das cédulas seria maior, de acordo com o Banco Central. Por isso, a autoridade monetária optou por imprimir e distribuir menos cédulas em um valor maior.

“O Banco Central chegou a considerar a possibilidade de importar cédulas, mas não havia tempo hábil”, disse a diretora de administração do BC, Carolina de Assis Barros, ao explicar as razões para a criação da nova cédula. “O numerário disponível podia não ser suficiente para atender à demanda da população”.

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