Um levantamento inédito da Acordo Certo mostra que metade dos consumidores não possui mais cartão de crédito. Os motivos vão desde restrições de CPF, por conta de problemas financeiros, até o medo de perder o controle sobre os gastos.

“Os resultados refletem como é difícil incorporar lições de educação financeira ao dia-a-dia do brasileiro. De forma macro, existe um pensamento muito enraizado de que produtos como cartão de crédito e cheque especial são uma extensão da renda, e isso leva as pessoas a não terem consciência de que estão gastando mais do ganham”, avalia Bruna Allemann, educadora financeira da Acordo Certo.

Quais são os motivos para não possuir cartão de crédito? Além dos 50% que deixaram de possuir o produto, há também 12% que nunca o tiveram. 

Quais têm sido os principais problemas financeiros? De um modo geral, a maioria dos consumidores já passou por alguma situação delicada com o uso do cartão de crédito. Dentre as que mais se destacam, estão questões como gastar mais do que devia (68%), parcelar a fatura do cartão (67%), estourar o limite (61%), pagar apenas o valor mínimo (58%), dentre outras.

“A pesquisa mostra que mais de 33% dos respondentes usam o cartão de crédito em todas as compras. Esse é um alerta para os consumidores, afinal, o que anteriormente era apenas uma dívida, com o cartão passam a ser duas ou três novas dívidas. É uma tendência de endividamento devido ao impacto da pandemia”, explica Bruna Allemann.

Empréstimo

Um outro ponto importante do levantamento aponta que metade dos entrevistados afirmou que precisaram de empréstimo nos últimos 12 meses. Dentre eles, 44% conseguiram ajuda com algum conhecido e 33% negociaram o serviço com bancos.

“Na hora que um consumidor opta por um empréstimo, várias questões são levadas em consideração. Normalmente, a dívida está atrelada ao cartão de crédito e às compras como pacotes de assinatura, streamings ou outros pedidos via aplicativos, que se intensificaram na pandemia. A pessoa não enxerga que aqueles débitos de R$ 10 ou R$ 20 se tornam uma conta fixa de R$ 300 no final do mês”, exemplifica Allemann.

Investimentos

A maioria (74%) afirma não guardar dinheiro, enquanto, dentre os que guardam (13%), mais da metade (58%) utiliza a conta poupança. Na sequência, os investimentos mais populares são os de renda fixa (12%).

Os dados mostram também que falta conhecimento em relação às alternativas de investimentos. A poupança, seguro de vida e consórcio, possuem maior conhecimento por parte dos consumidores, enquanto LCI e LCA são as menos conhecidas.

Como a pesquisa foi realizada? O estudo “Finanças” do Acordo Certo foi realizado entre os dias 19 e 31 de maio de 2021 ao redor do Brasil, com predomínio de respondentes das regiões Sudeste (55%) e Nordeste (19%). A amostra de 1.114 entrevistados foi composta em 60% por mulheres e 40% por homens.

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