A atual crise econômica provocada pelo coronavírus entregou aos fundos cambiais a valorização média de 27,26% entre 2 de janeiro e 13 de abril – uma rentabilidade 33 vezes maior se comparada ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Magnetis Investimentos para o jornal o Estado de S. Paulo.

De acordo com Marcelo Romero, diretor da Magnetis, a alta do dólar – e, consequentemente, dos fundos cambiais – no primeiro quadrimestre de 2020 foi motivada pela fuga de capital estrangeiro, que pressionou o real para baixo, e pela busca por ativos mais seguros para se proteger da crise, que é o caso de moedas fortes.

“Enquanto país emergente, temos a retirada de investimentos por conta da queda nos juros e aumento do risco-país, que provoca a desvalorização do real em comparação às outras moedas”, diz Romero. Em 2 de janeiro, o dólar estava cotado a R$ 4,02. Quatro meses depois, subiu 31%, para R$ 5,25.

Por isso, quem tinha fundos cambiais na carteira conseguiu reduzir as perdas na Bolsa. Enquanto o Ibovespa caía cerca de 36%, a rentabilidade dos fundos cambiais dava um salto quase na mesma proporção. Mas os especialistas alertam que é necessário cautela para entender as características desse produto antes de fazer a aplicação.

O que eu preciso saber sobre um fundo cambial? Em linhas gerais, os fundos cambiais investem, pelo menos, 80% da carteira em títulos atrelados a moedas estrangeiras fortes, principalmente o dólar. O objetivo é replicar o comportamento do câmbio: quando a moeda americana se valorizar, por exemplo, a rentabilidade desses fundos sobe – o mesmo acontece no movimento contrário.

A volatilidade também tornaria esse tipo de fundo uma aplicação de risco, voltada para investidores com perfil moderado ou arrojado. “Da mesma forma que foi um bom investimento nos primeiro quatro meses do ano, ele pode ser uma péssima opção daqui para frente se a maré virar”, diz Emerson Marçal, coordenador do centro de macroeconomia aplicada da Fundação Getúlio Vargas.

Quando se trata de fundos cambiais, muitos esquecem a prerrogativa de que não se deve investir na alta. “As pessoas buscam esse investimento quando o dólar já está em um patamar elevado. Seria mais indicado ter investido antes desse pico”, diz Flávio Mattos, gerente executivo de fundos renda fixa e câmbio do Banco do Brasil.

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