Na outra ponta do day trade, que é a prática de comprar um ativo financeiro para vender no mesmo dia com lucro, estão grandes instituições, como bancos e fundos de investimentos, que estão muito mais preparadas do que o pequeno investidor em termos de conhecimento do mercado e tecnologia.

O alerta é do economista e pesquisador da FGV Fernando Chague, autor de um levantamento sobre minicontratos da FGV (Fundação Getúlio Vargas) feito a pedido da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Esse estudo acompanhou o desempenho de todos os investidores que operaram algum minicontrato de dólar ou de Ibovespa entre 2012 e 2017.

A conclusão foi que, de todos os que tentaram operar esses contratos, 92,1% pararam em menos de um ano. Dos que continuaram operando após um ano, 97% perderam dinheiro. E dos 3% que ficaram no azul, a maior parte ganhou menos que R$ 300 por dia.

“Essas operações de minicontratos como day trade são um cassino, um jogo de azar”, resume o especialista.

Jogo de perde perde

Para Chague, é natural que as pessoas físicas tenham prejuízo nessas negociações diárias. Em primeiro lugar, adivinhar se o dólar vai subir ou cair no mesmo pregão é tarefa difícil. Mas não é só isso.

“Se a pessoa física está perdendo dinheiro, alguém está ganhando. É um jogo de soma zero. E quem está ganhando são os investidores institucionais, que são os grandes fundos de investimento, brasileiros e estrangeiros”, aponta. “Eles possuem uma estrutura para avaliar para onde está indo o mercado que é impensável para o pequeno, em termos de conhecimento, informações e tecnologia. Muitos operam com robôs de alta frequência, por exemplo, que são sistemas programados para identificar as melhores oportunidades de compra e venda”.

Os dados da CVM obtidos pelo 6 Minutos mostram que, no ano passado, 88% dos investidores, independentemente do tempo de operação, tiveram prejuízo. Esse é um percentual maior do que anos anteriores, o que mostra que as chances de perder aumentaram ainda mais.

O professor da FGV defende que medidas sejam tomadas para reduzir essa proporção de alavancagem nos minicontratos. “Com R$ 100, o investidor pode, no limite, ganhar R$ 1 mil ou perder R$ 1 mil. Será que a gente quer que as pessoas físicas se alavanquem dessa forma?”, questiona. “No fundo, o pequeno investidor está apenas jogando um dado”.

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