Por que alguém faria consórcio de imóvel com tantas opções de crédito disponíveis no mercado? A grande vantagem, segundo administradoras de consórcios e planejadores financeiros, é o custo menor.

“Quando comparamos o consórcio com o financiamento, o custo é bem menor. Não tem juros, não tem IOF”, diz Luís Toscano, vice-presidente de negócios da Embracon.

Essa é a mesma defesa que o Consórcio Magalu faz dessa modalidade de compra coletiva planejada. “A taxa mensal é muito baixa se comparar com um financiamento. Eu tenho grupo com taxa de 15% em 180 meses.  Quanto dá isso ao mês? Muito menos que o juro do financiamento”, afirma Angélica Urban, gerente de produtos do Consórcio Magalu.

Mas a parcela tem reajuste?

Tem. Como o valor da carta de crédito é corrigida, as prestações mensais também são reajustadas de acordo com um índice definido em contrato. Por isso, é preciso prestar atenção a esse detalhe, pois alguns indicadores – caso do IGP-M – subiram muito mais que o IPCA.

As administradoras dizem que o normalmente aplicam o índice que costuma ser aplicada para aquela categoria de bem: tabela Fipe para veículos ou INCC para imóveis.

Tem outra desvantagem?

Tem. É preciso lembrar que o consórcio não é indicado para quem precisa do bem comprado na hora. “A grande vantagem é pode ter acesso a um bem que financeiramente é mais barato, pois o custo é menor que as taxas de juros do financiamento. A desvantagem é que tem que esperar ser sorteado ou dar um lance. No financiamento, a pessoa faz e já sai dirigindo o carro”, diz Miguel de Oliveira, diretor executivo da Anefac (associação nacional dos executivos de finanças.

Flexibilidade

Outra vantagem é que a carta de crédito do consórcio do imóvel pode ser usada não só para aquisição, mas ampliação do bem que a pessoa já tem. “É muito flexível. A pessoa pode fazer uma reforma, construir, comprar uma casa nova. Se ela tem FGTS, pode usá-lo para complementar o valor da carta”, diz Angélica.

No Magalu, o valor médio do consórcio de imóveis é de R$ 56 mil, mas há cartas que variam de R$ 3.000 a R$ 420 mil. Na Embracon, o valor médio da carta de crédito de imóvel é de R$ 150 mil. “Hoje em dia, o consumidor sabe fazer conta e tem vários simuladores para usar. Ele tem o simulador do financiamento e tem o do consórcio, que cobra uma taxa de 20% para diluir em 180 meses. É só fazer a conta”, afirma Toscano.

Segundo ele, um dos mitos que existia sobre consórcios era de era um produto para quem não tinha patrimônio nem dinheiro para fazer um financiamento. “Nesse cenário de crise e juro, tem gente que já tem um imóvel, mas não quer se descapitalizar. Ela prefere aumentar o patrimônio pagando um consórcio do que mexendo em seus investimentos.”

Segundo ele, era comum que o consórcio fosse usado para planejar a compra do primeiro imóvel ou primeira casa. “Hoje, tem gente que já tem seu imóvel, mas entra no consórcio para, quando for contemplado, comprar outro, alugá-lo e fazer renda.”

Serviços e agro

A maioria dos consórcios ativos do país são de veículos, seguidos por motocicletas e imóveis. Mas são os segmentos mais novos, como serviços e máquinas agrícolas, que estão puxando as vendas de novas cotas.

No Consórcio Magalu, por exemplo, a venda de consórcios de máquinas agrícolas cresceu 152% em 2020 na comparação com 2019. Para efeito de comparação, a carteira inteira de consórcios do Magalu teve um aumento de 25% no mesmo período.

No ano passado, o número de consorciados de serviços saltou de 105 mil para 159 mil, um crescimento de 51%.

“Hoje, o que eu mais vendo em volume de crédito é consórcio de imóvel, representa 60% do total. Em quantidade de clientes, quem lidera é o consórcio de automóvel. O agro cresceu 152%, mas tem poucos clientes”, disse Angélica Urban, do Consórcio Magalu.

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