O ano de 2020 será de menor crescimento para os quatro maiores bancos do país, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander, todos com capital aberto na B3. É uma expectativa consensual entre analistas do mercado, reconhecida por alguns dos próprios executivos que comandam essas instituições.

Mas isso não significa que os bancos estejam em crise financeira ou que os investidores que decidiram colocar seus recursos — ou os mantiveram — em ações deles estejam perdendo dinheiro. Ao contrário. Em 2019, Itaú, BB, Bradesco e Santander distribuíram um valor recorde somado de R$ 58 bilhões na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP), segundo levantamento da consultoria Economatica.

Quais os valores distribuídos pelos bancos? Abaixo, a divisão dos dividendos e do JCP em 2019:

  • Itaú Unibanco: R$ 26,14 bilhões
  • Bradesco: R$ 17,75 bilhões
  • Banco do Brasil: R$ 7,12 bilhões
  • Santander: R$ 7,01 bilhões

Veja abaixo a evolução de dividendos e JCP distribuídos pelos quatro bancos:

  • 2015: R$ 21,6 bilhões
  • 2016: R$ 19,1 bilhões
  • 2017: R$ 25,7 bilhões
  • 2018: R$ 37,1 bilhões
  • 2019: R$ 58 bilhões

Por que o valor cresceu tanto? A distribuição é reflexo direto dos resultados positivos dos quatro grandes bancos. Esse lucro líquido somado chegou a um valor igualmente recorde de R$ 81,5 bilhões em 2019, ainda de acordo com dados da Economatica, seja em valores nominais ou corrigidos pela inflação de anos passados.

Veja abaixo os lucros de cada um dos quatro maiores bancos em 2019:

  • Itaú Unibanco: R$ 26,58 bilhões
  • Bradesco: R$ 22,58 bilhões
  • Banco do Brasil: R$ 18,16 bilhões
  • Santander: R$ 14,18 bilhões

Mas o que são dividendos e juros sobre capital próprio? As empresas que têm capital aberto são obrigadas a distribuir pelo menos 25% do lucro para os acionistas, que são, afinal, sócios da empresa. Essa distribuição pode ser feita de duas formas, por meio de dividendos ou de juros sobre capital próprio.

Qual a diferença entre eles? A primeira é a o regime de tributação. Enquanto os dividendos são isentos para o investidor, nos juros sobre capital próprio ele paga 15% de Imposto de Renda, retido na fonte.

Para as empresas, no entanto, o benefício fiscal é maior na segunda modalidade — trata-se de um ajuste contábil: os JCP são recolhidos antes da tributação do lucro, o que diminui a base de cálculo e o imposto pago pela empresa.

Não existe uma periodicidade fixa para o pagamento de dividendos ou de JCP. Cada empresa determina seu calendário, de acordo com o estatuto e com as deliberações do Conselho, mas em geral esse lucro é distribuído mensalmente, trimestralmente ou semestralmente.

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